Clã Bolsonaro é comparado à família Trump em perfil de revista britânica
2 veículos de centro · 1 veículo de direita

Usamos identificadores pseudônimos para operar e melhorar o serviço. Aceitar habilita medições opcionais.Medimos audiência e uso com identificadores pseudônimos, em infraestrutura própria, para operar e melhorar o serviço (legítimo interesse). Aceitar habilita também analytics opcionais de terceiros, mapa de calor e medição de anúncios. Consulte nossa Política de Cookies.
A revista de fim de semana de um jornal britânico publicou no sábado, 26 de setembro, uma reportagem de capa sobre a família Bolsonaro, assinada pelo jornalista Michael Pooler e intitulada “Escândalo e sucessão na Casa dos Bolsonaro”. O texto descreve o grupo como um clã “tão radical quanto disfuncional”, que pratica um “estilo paranoico de política”, e o compara à família de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. A reportagem traça perfis de Jair Bolsonaro, preso por conspirar para se manter no cargo, de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência e apresentado como o integrante moderado, da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do vereador Carlos Bolsonaro e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde 2025. Também discute cenários: vitória consolidaria uma dinastia e pressão por anistia; derrota abriria espaço para uma direita mais moderada.
A leitura de direita sobre a reportagem britânica destaca o tom hostil de uma publicação estrangeira que escolhe adjetivar um campo político em vez de descrevê-lo, a pouco mais de uma semana da votação, e observa que a própria matéria admite que Flávio Bolsonaro tem o vento a favor e reduziu a distância nas pesquisas.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Todas as coberturas reproduzem os mesmos pontos da reportagem: a comparação entre a família Bolsonaro e a família de Donald Trump, a prisão de Jair Bolsonaro por conspirar para se manter no cargo, a candidatura de Flávio Bolsonaro como herdeiro do grupo, o atrito público com Michelle Bolsonaro e a menção a Alexandre de Moraes como possível chave para a liberdade do ex-presidente.
Uma reportagem de capa publicada por revista de fim de semana de jornal britânico descreve a família Bolsonaro como um clã radical e disfuncional, de estilo paranoico, e a compara à família de Donald Trump. O texto perfila Jair, Flávio, Michelle, Carlos e Eduardo Bolsonaro, trata da prisão do ex-presidente e projeta cenários para a disputa presidencial.
A revista de fim de semana de um jornal britânico dedicou a capa do sábado, 26 de setembro, à família Bolsonaro. Assinada pelo jornalista Michael Pooler, a reportagem intitulada “Escândalo e sucessão na Casa dos Bolsonaro” descreve o grupo como um clã “tão radical quanto disfuncional”, que oscila “entre o conservadorismo e o caos” e pratica um “estilo paranoico de política”. O texto compara os Bolsonaro à família de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e afirma que as duas encarnam a fusão entre celebridade, rede social e busca pelo poder. O Brasil é definido pela publicação como peça importante na busca de Trump por dominância no hemisfério, o que, segundo a matéria, dá relevância internacional à votação de outubro.
O ponto de partida da reportagem é o vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acusa o senador Flávio Bolsonaro de humilhá-la em uma disputa interna do partido. Para o jornal, o episódio expôs uma fratura no núcleo da primeira família da direita radical brasileira justamente quando ela organizava o retorno ao poder. A partir de interlocutores identificados e não identificados, o texto traça um perfil de cada integrante: Jair Bolsonaro como figura central e “demagogo da linha-dura da direita”, Flávio como o “Bolsonaro moderado”, Michelle como a face amável e cristã devota, o vereador Carlos Bolsonaro como estrategista digital apelidado de “pit bull da família”, e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro como o filho que mais lembra o pai no estilo, hoje fora da linha de sucessão porque vive nos Estados Unidos desde 2025 e corre risco de prisão caso retorne.
As três coberturas convergem nos fatos centrais. Jair Bolsonaro está preso após ser considerado culpado de conspirar para permanecer no cargo ilegalmente, em trama que incluía planos para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Flávio Bolsonaro é apresentado como o herdeiro escolhido e, caso vença, pressionaria o Congresso por uma anistia ampla aos envolvidos na trama e aos condenados pelo 8 de Janeiro, tendo o perdão presidencial como alternativa. Em caso de derrota, o jornal projeta o fim da era Bolsonaro e a abertura de espaço para uma direita mais moderada, com menção ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A reportagem também registra que Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, poderia, numa reviravolta irônica, fornecer a chave para a liberdade do ex-presidente, e cita falas de Hamilton Mourão, do pastor Silas Malafaia e do ex-ministro Ernesto Araújo.
A divergência aparece na escolha do ângulo. Veículos de direita abriram o relato pelo impacto eleitoral imediato, ligando revelações sobre conversas do senador com um empresário preso ao risco para os planos do candidato, e reservaram destaque para o monitoramento de desinformação na campanha. A cobertura de centro seguiu por dois caminhos: uma parte reproduziu o texto original quase na íntegra, preservando os perfis e as citações em bloco, e outra reorganizou o material por temas e acrescentou apuração própria, ao quantificar em US$ 12,3 milhões, mais de R$ 60 milhões, o financiamento buscado junto a um empresário preso para um documentário, e ao registrar que os integrantes da família foram procurados e não enviaram comentários. Entre os veículos de esquerda não houve registro do caso no material reunido até agora, de modo que não há enquadramento próprio desse lado a comparar nesta cobertura.
O que ainda não se sabe é decisivo. A família não respondeu às perguntas da publicação, e nenhuma das coberturas traz réplica de Flávio, de Michelle, de Carlos ou de Eduardo Bolsonaro ao retrato publicado. O empresário preso ligado ao pedido de financiamento não é citado nominalmente pela reportagem original, e não há confirmação sobre o destino dos recursos. Também não há medição do efeito do perfil sobre a intenção de voto na reta final, nem detalhamento sobre como uma anistia ampla passaria pelo Congresso ou sobre o que o Supremo Tribunal Federal decidirá a respeito da prisão do ex-presidente.
Reportagem do periódico britânico destaca laços entre filhos de Jair Bolsonaro, Flávio, Eduardo e Carlos, e sua mulher, Michelle


Revista britânica traçou perfis de membros do clã político brasileiro, com Flávio
