Flávio Bolsonaro troca auditoria das urnas por pedido de cassação de Lula
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A cobertura de esquerda trata a reação de Flávio Bolsonaro como repetição do gesto do pai: o senador não reconheceu o resultado das urnas, acusou sem provas a campanha de Lula de comprar votos e teve o passaporte apreendido pela Polícia Federal. A apreensão é apresentada como precaução justificada diante do histórico de bolsonaristas que deixaram o país durante investigações, e a tese de mudança de regra no meio do jogo é desmontada com números.
Derrotado por Lula no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, chegou a cogitar pedir uma auditoria nas urnas, mas foi aconselhado por aliados a desistir. Na segunda-feira, adotou tom menos beligerante e anunciou que vai pedir ao Tribunal Superior Eleitoral a cassação da chapa Lula-Alckmin por abuso de poder político e econômico.
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Flávio Bolsonaro cogitou pedir auditoria nas urnas após perder para Lula, mas foi aconselhado por aliados a desistir. O senador vai pedir ao Tribunal Superior Eleitoral a cassação da chapa Lula-Alckmin por abuso de poder, enquanto a Polícia Federal apreendeu seu passaporte por ordem de Alexandre de Moraes.
O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, derrotado por Lula no segundo turno da eleição presidencial, chegou a cogitar um pedido de auditoria nas urnas eletrônicas. Foi convencido por aliados a desistir. Na segunda-feira, dia 26, adotou um tom menos beligerante e anunciou que vai pedir ao Tribunal Superior Eleitoral a cassação da chapa Lula-Alckmin, sem falar em anular a eleição. No mesmo dia, a Polícia Federal apreendeu seu passaporte, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Até o momento, o caso foi coberto por um veículo de centro e um de esquerda, e nenhum veículo de direita publicou sobre o tema. A cobertura de centro relatou os bastidores de um almoço em Brasília com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o coordenador da campanha, Rogério Marinho, e o senador eleito Guilherme Derrite. Ali, a ideia da auditoria foi descartada. Um dos argumentos foi o preço pago pelo partido em 2022, quando o TSE aplicou multa de 22,9 milhões de reais por litigância de má-fé, ou seja, por acionar a Justiça de forma irresponsável.
Os dois relatos convergem nos pontos centrais. Flávio não reconheceu a derrota na noite de domingo e, em vídeo nas redes sociais, disse que vai pedir a cassação da chapa por abusos. Ele acusou Lula de usar quase meio trilhão de reais de dinheiro público para comprar votos, sem apresentar provas. O caminho escolhido é uma ação de investigação judicial eleitoral, instrumento que já foi usado contra Dilma Rousseff e Michel Temer e acabou arquivado por quatro votos a três.
As ênfases divergem. A cobertura de centro apresentou a guinada como vitória da ala pragmática da campanha, que quer levar a oposição para a arena política e manter pressão sobre Lula ao longo do quarto mandato. Segundo aliados, o entorno do senador avalia que a atual composição do TSE é mais favorável ao presidente.
Veículos de esquerda destacaram que Flávio imitou o gesto do pai e voltou a questionar o resultado. Eles lembraram que a extensão do horário de votação até as 19 horas, decidida pelo ministro Cristiano Zanin, também havia sido pedida pela própria campanha de Flávio para a região Sul. Os votos computados após as 17 horas somaram cerca de 35 mil, e Lula venceu por mais de 4 milhões. Essa cobertura ressaltou ainda que o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, reconheceu a lisura do processo. Sobre o passaporte, a decisão se baseou numa fala de Eduardo Bolsonaro, que disse num podcast ser a favor de o irmão deixar o país se perdesse. Um cientista político ouvido viu base para a medida e citou outros bolsonaristas que saíram do Brasil durante investigações. Flávio é investigado por ligação com Daniel Vorcaro, fundador do banco Master, sob suspeita de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.
Ainda não se sabe quando a ação contra a chapa será protocolada nem quais provas o Partido Liberal vai apresentar. Também não está claro por quanto tempo vai durar a proibição de deixar o país, nem como a investigação sobre o senador vai avançar depois que ele perder o foro privilegiado, em janeiro.
Ala pragmática da campanha aconselhou senador a não repetir erros do pai

O candidato derrotado nas urnas, Flávio Bolsonaro (PL), voltou a dizer que pedirá a anulação das eleições ao divulgar que teve seu passaporte apreendido pela Polícia Federal na manhã desta segunda…
