O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, protagonizou na primeira semana de julho de 2026 uma sequência de ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em várias frentes ao mesmo tempo. No campo judicial, a Polícia Federal concluiu, em 26 de junho, que o senador cometeu crime de calúnia ao associar Lula, em uma publicação de janeiro nas redes sociais, ao tráfico internacional de drogas, à lavagem de dinheiro e ao apoio a terroristas. Em 6 de julho, a Procuradoria-Geral da República, sob o comando de Paulo Gonet, defendeu que a PF ouça Flávio antes de concluir o caso, que tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria de Alexandre de Moraes.
Ao mesmo tempo, Flávio viajou a Washington para participar de uma audiência do USTR, o órgão de comércio dos Estados Unidos que avalia a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Ali, o senador repetiu a tese de que Lula seria o único interessado na sobretaxa, por enxergar nela um ganho político de 'defesa da soberania'. Flávio pediu o adiamento da medida para depois das eleições e defendeu o Pix, sistema de pagamentos que está entre os alvos da investigação americana. Em paralelo, após a eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega nas oitavas da Copa do Mundo, ele e o irmão Eduardo Bolsonaro atribuíram o revés ao PT, afirmando que o país 'nunca mais ganhou nada' desde 2002.
A cobertura de centro, majoritária no conjunto, relatou os fatos de forma direta e acrescentou correções: o pentacampeonato de 2002 ocorreu ainda sob Fernando Henrique Cardoso, e o Brasil também caiu em Copas sob Michel Temer, em 2018, e sob Jair Bolsonaro, em 2022. Esses veículos registraram tanto as falas de Flávio quanto a resposta do Palácio do Planalto, que chama o senador de 'traidor da pátria' e defende a reversão do tarifaço independentemente do resultado eleitoral.
Veículos de esquerda enfatizaram que a Polícia Federal confirmou a calúnia e trataram a ofensiva do senador como parte de um 'entreguismo' que ameaçaria a soberania nacional, aproximando o episódio dos alertas em que o Itamaraty aponta riscos ao Brasil. Já veículos de direita destacaram o senador como quem foi aos Estados Unidos 'defender os interesses do povo brasileiro' e o Pix, reforçando a acusação de que o governo Lula não combate a corrupção e explora a crise comercial para fins eleitorais. Em outra frente, em evento do PL no Rio de Janeiro, Flávio afirmou que Lula 'quer deixar o Brasil igual a Cuba'.
O que ainda não se sabe é se Moraes vai acatar o pedido de oitiva feito pela PGR e se o inquérito resultará em denúncia formal, com pena prevista de até dois anos em regime aberto. Também permanece em aberto qual será a decisão final do governo americano sobre a tarifa de 25%, prevista para até 15 de julho, e qual será o efeito eleitoral dessa disputa a menos de quatro meses do pleito de outubro.