A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) reacendeu nesta semana o debate sobre presença parlamentar ao criticar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, por suas ausências no Senado. Em postagem na rede social X, ela divulgou um levantamento segundo o qual o senador deixou de registrar voto em 43% das votações nominais da Casa em 2026 e comparou a remuneração do parlamentar, cerca de R$ 46 mil por mês, à renda de um trabalhador submetido à chamada PEC das horas trabalhadas.
O dado das ausências vem de um levantamento da Folha nos registros oficiais do Senado, que analisou 49 votações nominais até 22 de junho. Por esse critério, que descarta votações simbólicas e faltas justificadas por saúde, missão oficial ou licença, Flávio Bolsonaro aparece num empate quíntuplo no quinto lugar do ranking de ausências. A média de ausência de registro de voto entre os 81 senadores é de 20%. O senador mais ausente é Romário (PL-RJ), seguido por Wilder Moraes (PL-GO). Desde dezembro, quando foi escolhido pré-candidato à Presidência pelo pai, Jair Bolsonaro, o senador mantém agenda intensa de pré-campanha, com viagens aos Estados Unidos, atos pelo país e um encontro previsto com o presidente argentino Javier Milei.
Veículos de esquerda destacaram o contraste entre o salário do senador e a realidade de trabalhadores em jornadas exaustivas, reproduzindo a fala de Erika Hilton de que um repositor de supermercado na escala 6x1 ganharia uma fração do que recebe um parlamentar ausente. A cobertura de centro, por sua vez, relatou o caso de forma factual: apresentou a metodologia do levantamento, situou Flávio dentro do ranking sem isolá-lo no topo, registrou que a média geral de ausências é de 20% e ouviu as assessorias de vários senadores citados, várias das quais alegaram agenda institucional ou faltas formalmente justificadas. Veículos de direita tendem a enfatizar que o senador está apenas em quinto lugar, que suas ausências se explicam pela pré-campanha e que a crítica, vinda de uma deputada do Psol, carrega motivação eleitoral.
O episódio se entrelaça com a tramitação da PEC que põe fim à escala 6x1, aprovada pela Câmara em dois turnos, por 461 votos a 19 no segundo turno, e agora encaminhada ao Senado. O texto, originado de um substitutivo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), reduz a jornada para 40 horas semanais em cinco dias, com dois dias de descanso remunerado e sem corte de salários. A esquerda celebra a medida como avanço para os trabalhadores, enquanto setores à direita alertam para o aumento de custos e o risco ao emprego, sobretudo em pequenos negócios, ponto para o qual a própria PEC prevê regras de transição e tratamento diferenciado a MEIs e microempresas.
O que ainda não se sabe é como o Senado tratará a PEC do fim da escala 6x1, nem se o desempenho de presença de Flávio Bolsonaro terá peso real na pré-campanha presidencial. A assessoria do senador foi procurada, mas não respondeu até a publicação das reportagens, deixando em aberto a sua versão sobre as ausências apontadas.