A eleição presidencial da Colômbia entrou no radar da política brasileira depois que a pré-contagem oficial apontou o candidato de direita Abelardo de la Espriella à frente de Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro. A diferença foi estreita: cerca de 49,6% para Espriella contra 48,7% para Cepeda, com a maior parte das urnas apuradas. O resultado, porém, ainda não havia sido oficializado no momento da cobertura, e o próprio Petro afirmou que aguardaria a conclusão do escrutínio antes de reconhecer um vencedor.
O que tornou o pleito colombiano assunto no Brasil foi a reação imediata de políticos brasileiros nas redes sociais. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, publicou mensagens de felicitação a Espriella e, em vídeo no Instagram, declarou que 'as agendas de direita continuam triunfando em toda a América', chamando o resultado de 'vitória do bem sobre o mal'. Seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, foi além e ligou a contagem colombiana à eleição brasileira de outubro, escrevendo que 'agora só falta o Brasil'.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta: descreveu a felicitação de Flávio, reproduziu suas falas e contextualizou o cenário com os números da apuração colombiana e com a pesquisa Datafolha mais recente, que mantinha o presidente Lula à frente do bolsonarista nos cenários de primeiro e segundo turno no Brasil. O enquadramento foi factual, sem juízo sobre a celebração.
Veículos de esquerda, por sua vez, enfatizaram que a comemoração de Trump, da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e dos irmãos Bolsonaro se apoiava em uma vitória ainda não oficial. Esse lado destacou que a margem era apertada, que o escrutínio não havia terminado e que a campanha de Cepeda pretendia questionar milhares de mesas de apuração. O tom associou Espriella à 'extrema direita' e tratou a pressa em proclamar o resultado como manobra política.
Veículos de direita, alinhados ao discurso dos Bolsonaros, leram o resultado como mais um capítulo de uma onda conservadora nas Américas. Esse enquadramento ressaltou a agenda de segurança pública dura e de baixa tributação atribuída a Espriella, seu estilo de outsider e o apoio explícito de Trump, apresentando o desfecho como sinal de rejeição do eleitorado às propostas da esquerda na região.
O que ainda não se sabe é o resultado definitivo. A proclamação do presidente eleito da Colômbia dependia da etapa formal do escrutínio, e tanto Petro quanto a campanha de Cepeda sinalizaram que aguardariam ou contestariam números antes do encerramento oficial do processo.