Uma nova pesquisa Quaest divulgada em 15 de julho de 2026 mostra recuo do senador Flávio Bolsonaro, do PL-RJ, pré-candidato do partido à Presidência da República, entre um grupo específico do eleitorado: a direita que não segue o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de eleitores independentes. Segundo aliados do senador, parte desse público migrou para o campo dos indecisos depois que vieram à tona conversas revelando proximidade entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, somada à crise pessoal do senador com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Os números levantados pela Quaest, relatados tanto por veículos de centro quanto de esquerda, convergem em um ponto central: entre a direita não bolsonarista, o apoio a Flávio caiu de 74% em maio para 59% em junho e 53% em julho. Já entre os chamados bolsonaristas raízes, o quadro é de estabilidade, com índices entre 90% e 94% nos três meses. No campo nacional, sem filtro de perfil político, Lula aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno contra 28% de Flávio, e nenhum outro nome chega a 5%. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-07181/2026.
A cobertura de centro, feita pelo G1, relatou o recuo pela ótica dos próprios aliados de Flávio Bolsonaro, tratando a perda de espaço como um desafio estratégico que o senador precisa enfrentar para ampliar sua base além do núcleo bolsonarista mais fiel. Já veículos de esquerda, na cobertura da CartaCapital, destacaram o mesmo conjunto de números sob um enquadramento distinto, com título e abertura de texto enfatizando a queda das intenções de voto e a vantagem de doze pontos de Lula sobre o pré-candidato do PL no cenário sem filtro político, reforçando a leitura de fragilidade da candidatura.
Até o momento, não foi identificada cobertura própria de veículos de direita sobre esta leitura específica da pesquisa Quaest, o que impede atribuir a esse campo um enquadramento particular sobre o episódio.
O que ainda não se sabe é se a perda de apoio entre a direita não bolsonarista representa um patamar duradouro ou um efeito temporário ligado à repercussão do caso Vorcaro e da crise com Michelle Bolsonaro. Também não está claro, a partir do material disponível, quais medidas a campanha de Flávio Bolsonaro pretende adotar para tentar reconquistar esse eleitorado nas próximas semanas.