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O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que, se eleito, pretende suspender a regulamentação da reforma tributária aprovada pelo Congresso em 2023 e revisar o modelo do Imposto sobre Valor Agregado, o IVA. A declaração foi dada no fórum "A indústria na agenda dos presidenciáveis", promovido pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI, em Brasília. No mesmo evento estiveram os presidenciáveis Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD); o presidente Lula foi convidado, mas não compareceu.
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Resumo da cobertura
Em evento da Confederação Nacional da Indústria em Brasília, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou a reforma tributária aprovada em 2023 e defendeu suspender sua regulamentação caso seja eleito. Ele afirmou que o IVA criado pela reforma estaria próximo de 30% a 40%, propôs uma 'reforma negativa' com redução gradual da carga e prometeu um 'tesouraço' em decretos e portarias.
A cobertura de centro relatou de forma direta o teor das falas. Flávio disse ter votado contra a reforma por considerar que ela criou "o maior IVA do mundo", com alíquota próxima de 30%, fruto de concessões e exceções que, na avaliação dele, elevaram a carga final. Em outra fala, o senador foi mais longe e classificou a regulamentação como "uma maluquice", citando quase 40% de imposto, e defendeu uma "reforma negativa", com redução gradual e previsível da carga ao longo dos anos. Ele também prometeu um "tesouraço", uma revogação em massa de portarias, decretos e instruções normativas do governo Lula, sob o argumento de desburocratizar o ambiente de negócios.
Há pontos em que toda a cobertura converge. O fato central é incontroverso: a proposta é suspender a regulamentação da Emenda Constitucional nº 132, de 2023, e substituir o modelo dual atual por um IVA menor, em torno de 20%. Também é consenso que a fala mira o eleitorado empresarial e de centro-direita insatisfeito com a complexidade e o peso do sistema tributário, e que a iniciativa se insere na tentativa do campo bolsonarista de se reposicionar após a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.
É no enquadramento que os lados se separam. Veículos de direita destacaram a proposta como resposta a uma insatisfação legítima do setor produtivo, enfatizando livre iniciativa, segurança jurídica, corte de gastos e desburocratização: para essa leitura, a reforma aprovada inchou a alíquota com exceções e o caminho seria reduzir impostos com previsibilidade. Já veículos de esquerda enfatizaram o que chamam de ausência de plano: revogar uma reforma negociada por décadas reabriria a guerra fiscal entre os 27 ICMS estaduais, geraria insegurança jurídica e desorganizaria as finanças de União, estados e municípios. Para essa cobertura, prometer um IVA de 20% sem detalhar a compensação fiscal é retórica de campanha, ainda mais quando a média europeia supera 21%. Essa cobertura também ressaltou que a própria CNI, anfitriã do evento, defende a regulamentação da reforma, e não sua revogação.
O que ainda não se sabe é o essencial: não há detalhamento sobre como o país financiaria os serviços públicos com uma alíquota tão reduzida, nem qual seria o regime de transição entre a revogação do modelo atual e a aprovação de um novo. Também não está claro como a proposta passaria pelo mesmo Congresso que aprovou a reforma, nem se as alíquotas citadas pelo senador, de quase 30% a 40%, correspondem aos números oficiais do modelo em implantação.
Briefing
O que importa para você
A proposta afeta o IVA que entra em vigor com transição até 2033.
Promete alíquota de ~20% contra os ~30% citados do modelo atual.
Inclui revogação em massa de portarias e decretos ('tesouraço').
Onde os lados divergem
Direita: a reforma inchou a carga com exceções; reduzir impostos com previsibilidade é o caminho.
Esquerda: a proposta é ruptura sem plano de transição nem compensação fiscal, com risco de reabrir a guerra fiscal e gerar insegurança jurídica.
Onde os lados concordam
Todos os lados relatam o mesmo fato: Flávio Bolsonaro, em evento da CNI, propõe suspender a regulamentação da reforma tributária e substituir o IVA atual por um modelo com alíquota menor caso seja eleito.
O que ainda está incerto
Não há plano de compensação fiscal para sustentar serviços públicos com alíquota menor.
Falta detalhamento do regime de transição e do caminho de aprovação no Congresso.
Não foram confirmadas as alíquotas de 30% a 40% citadas pelo senador.
Linha do Tempo
22 de jun. de 2026, 20:32
Flávio Bolsonaro defende suspender a regulamentação da reforma tributária em fórum da CNI em Brasília
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, criticou nesta segunda-feira, 22, a reforma tributária aprovada pelo governo Lula e defendeu suspender sua regulamentação.
"É uma maluquice. Quase 40% de imposto, quem aguenta?