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O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou, em evento com representantes diplomáticos de mais de 40 países em Brasília, na terça-feira (21), que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem das máquinas da empresa venezuelana Smartmatic, citando um relatório da CIA sobre suspeitas de fraude na Venezuela. A informação não tem respaldo: a Justiça Eleitoral já declarou, em notas de 2017, 2020, 2022 e julho de 2026, que a empresa nunca forneceu urnas nem programas de votação ao Brasil, tendo prestado apenas serviços de conexão de dados e treinamento de suporte técnico. No mesmo discurso, o senador pediu que os países enviem o maior número possível de observadores para a eleição de outubro. Sua assessoria e sua campanha divulgaram notas afirmando que ele não colocou em dúvida o sistema eleitoral.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, afirmou a representantes diplomáticos de mais de 40 países, em evento realizado em Brasília na terça-feira (21), que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem das máquinas da empresa venezuelana Smartmatic. Para sustentar a afirmação, citou um relatório da agência de inteligência dos Estados Unidos, divulgado dias antes, que aponta suspeitas de manipulação de votos em pleitos realizados na Venezuela. Em seguida, pediu aos presentes que seus países enviem o maior número possível de observadores para a eleição brasileira de outubro, além de especialistas com conhecimento da tecnologia de votação.
A associação entre a empresa venezuelana e as urnas brasileiras não tem sustentação factual. A Justiça Eleitoral já desmentiu o boato em notas públicas de 2017, 2020, 2022 e novamente em julho de 2026. Segundo o tribunal, todo o projeto da urna eletrônica e do sistema de votação foi concebido e é gerido pela própria Justiça Eleitoral brasileira. A empresa citada manteve contratos com o tribunal apenas para prestação de serviços de conexão de dados e voz e treinamento de profissionais de suporte técnico. Ela chegou a disputar a licitação para fabricar urnas em 2020, mas perdeu a concorrência para outra fabricante. O tribunal também reitera que o sistema usa meios próprios e criptografados de transmissão, sem contato com redes públicas.
Esse núcleo de fatos aparece em toda a cobertura. Veículos de esquerda destacaram que o episódio repete, ponto a ponto, a estratégia adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, quando convocou embaixadores ao Palácio da Alvorada e questionou o sistema eleitoral sem apresentar provas, conduta pela qual foi condenado em 2023 por abuso de poder e declarado inelegível por oito anos. Nessa leitura, levar a suspeita a uma plateia estrangeira é tentativa de internacionalizar a narrativa de fraude e preparar terreno para contestar o resultado de outubro. Esses veículos também apontam contradição interna no discurso: o senador diz não questionar o sistema de votação logo depois de atribuir origem suspeita às máquinas.
A cobertura de centro relatou a fala com mais detalhe de contexto e trouxe o contraditório. O encontro fazia parte de uma rodada de eventos com presidenciáveis, organizada por uma consultoria de comunicação e por um site voltado ao público estrangeiro, e reuniu cerca de 80 pessoas, entre elas aproximadamente 20 embaixadores. Um dos diplomatas presentes afirmou que não considerou o encontro um ato político e que a participação não significou apoio. A assessoria do senador e, horas depois, sua campanha divulgaram notas afirmando que ele não colocou em dúvida o processo eleitoral, que apenas relatou fatos públicos e que reafirma confiança integral no sistema brasileiro, defendendo missões de observação internacional como prática de democracias.
Até o momento, veículos de direita não produziram cobertura própria do episódio no material reunido nesta reportagem. O argumento do campo de oposição aparece pelas notas da campanha e pelo restante do discurso, no qual o senador afirmou que o país não oferece segurança jurídica e que isso afasta investimento estrangeiro, criticou o que classificou como perseguição do Judiciário ao pai, disse que parte da Polícia Federal está aparelhada para perseguir opositores e prometeu dar celeridade a licenciamentos ambientais, além de conceder autonomia a indígenas para exploração mineral em reservas protegidas.
O que ainda não se sabe é se o episódio terá desdobramento jurídico. Não há, no material disponível, informação sobre representação apresentada à Justiça Eleitoral, sobre eventual abertura de apuração ou sobre como o tribunal avalia a distância entre esta fala e o precedente que gerou a inelegibilidade em 2023. Também não há reação oficial dos governos representados no encontro, nem resposta dos órgãos de investigação às acusações feitas no discurso.
Toda a cobertura registra os mesmos fatos verificáveis: a fala ocorreu diante de diplomatas de mais de 40 países, o senador ligou as urnas brasileiras à empresa venezuelana citada em relatório de inteligência dos Estados Unidos, e a Justiça Eleitoral já desmentiu essa ligação em notas sucessivas, informando que a empresa prestou apenas serviços de conexão de dados e treinamento de suporte.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O texto adota vocabulário de avaliação editorial explícita: fala em 'premissa falsa', 'contradição interna flagrante', 'tática de descredibilização' e 'plantar dúvidas'. Constrói a narrativa em torno do risco à integridade do processo eleitoral e da responsabilização institucional do campo bolsonarista, ângulo típico da cobertura à esquerda, embora os fatos e a nota do tribunal eleitoral estejam corretamente reproduzidos.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
O relato é descritivo e paritário: transcreve as falas do senador na íntegra, publica as duas notas divulgadas pela campanha em resposta, e separa a checagem do boato em bloco próprio, apoiada em nota da Justiça Eleitoral. Também registra o restante do discurso, incluindo críticas ao Judiciário, à Polícia Federal e as propostas econômicas, sem adjetivação valorativa do repórter.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, usou um evento com representantes diplomáticos de 42 países em Brasília, nesta terça-feira

Senador levanta suspeitas a respeito de empresa venezuelana que não fornece urnas para o Brasil
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