O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, a abertura de um inquérito para que a Polícia Federal investigue o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apuração busca esclarecer suspeitas de tráfico de influência e corrupção em articulações junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência para favorecer a comercialização de produtos à base de cannabis medicinal em programas do governo federal. O nome do empresário aparece ligado ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
A decisão judicial repercutiu de imediato na pré-campanha presidencial. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL, afirmou em transmissão pela internet que faltaria estrutura à corporação para conduzir o caso. Disse estar 'faltando braço, faltando gente para esse pequeno grupo da Polícia Federal do Lula investigar o filho do presidente' e questionou o que aconteceria se o suspeito fosse filho de Jair Bolsonaro. Outro pré-candidato, Ronaldo Caiado, comparou a situação a uma 'monarquia disfarçada de república, onde o rei protege o príncipe'.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma factual: registrou a decisão de Mendonça, reproduziu as críticas dos adversários e ouviu os demais lados, anotando que as defesas de Lulinha, do lobista e de uma empresária citada afirmaram não ter tido acesso ao pedido da PF. Também deu espaço à resposta do presidente, que garantiu, em entrevista a um podcast, que não haverá privilégio e que não usará o cargo para proteger o filho: 'Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa', afirmou.
Veículos de direita enfatizaram o ângulo da accountability e do suposto tratamento desigual, reproduzindo a expressão 'Polícia Federal do Lula' e a tese de que o governo se blindaria contra a responsabilização de pessoas próximas ao presidente, num enquadramento que trata o episódio como mais um caso de corrupção no entorno do Planalto. Pela ótica da esquerda, a leitura provável enfatizaria a instrumentalização eleitoral do inquérito por adversários, a reafirmação pública do presidente de que não interferirá e o alerta da defesa sobre uma possível 'pesca probatória', além de lembrar que a autonomia da Polícia Federal contradiz a acusação de que a corporação protegeria o governo.
Ainda não se sabe quais provas concretas embasam a suspeita, qual o eventual valor envolvido nas articulações, nem o prazo do inquérito. A extensão da investigação, os próximos passos processuais e a resposta formal da defesa ao teor do pedido também permanecem em aberto até o fechamento desta reportagem.