Campanha de Flávio Bolsonaro tenta furar a hegemonia de Lula no Nordeste
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A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência escolheu o Nordeste como principal frente de expansão e vai priorizar municípios em que Jair Bolsonaro teve melhor desempenho no segundo turno de 2022. A região concentra 27,4% do eleitorado brasileiro e deu 69,34% dos votos válidos a Luiz Inácio Lula da Silva naquela eleição, contra 30,66% do ex-presidente. Pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto aponta Lula com 61% e Flávio com 26% na região em eventual segundo turno, enquanto no cenário nacional o placar é de 43% a 40%. Paralelamente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou em sabatina que a neutralidade de partidos do centrão na disputa presidencial mira a formação de bancadas no Norte e no Nordeste.
Flávio Bolsonaro (PL) trata o Nordeste como o terreno onde a eleição pode ser decidida voto a voto e monta uma operação para converter em votos próprios os municípios em que Jair Bolsonaro já foi competitivo em 2022, como São Bento (PB), com 44,48%, e Maceió, onde o ex-presidente fez 57,18%.
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As duas frentes de cobertura tratam o Nordeste como território eleitoralmente dominado por Luiz Inácio Lula da Silva e registram que o Partido Liberal precisa reduzir essa diferença para viabilizar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Ambas descrevem a montagem de palanques estaduais como a ferramenta escolhida para isso.
O Nordeste concentra 27,4% do eleitorado brasileiro e foi a região em que Luiz Inácio Lula da Silva fez 69,34% dos votos válidos no segundo turno de 2022. É ali que a campanha de Flávio Bolsonaro decidiu testar se a herança eleitoral de Jair Bolsonaro se transfere, priorizando os municípios em que o ex-presidente teve os melhores resultados.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência definiu o Nordeste como o principal teste de sua capacidade de converter a herança eleitoral de Jair Bolsonaro em votos próprios. A estratégia, segundo integrantes do partido, é priorizar os municípios em que o ex-presidente teve os melhores resultados no segundo turno de 2022 e transformá-los em pontos prioritários de agenda. A região concentra 27,4% do eleitorado brasileiro e foi onde Luiz Inácio Lula da Silva obteve 69,34% dos votos válidos naquela eleição, contra 30,66% de Jair Bolsonaro.
Os números atuais mostram o tamanho da distância que a chapa tenta encurtar. Pesquisa do instituto Quaest divulgada em 14 de agosto, feita presencialmente com 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06773/2026, aponta Lula com 61% e Flávio Bolsonaro com 26% no Nordeste em um eventual segundo turno. No cenário nacional, o mesmo levantamento traz 43% para o presidente e 40% para o senador. É essa proximidade nacional que faz dirigentes do Partido Liberal tratarem cada avanço regional como potencialmente decisivo.
Veículos de direita enfatizaram a montagem dos palanques e o conteúdo programático da chapa. A Paraíba aparece como vitrine, com as candidaturas de Efraim Filho ao governo estadual e do ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga ao Senado, e há expectativa de nova visita do candidato ao estado em setembro. O vice, Alfredo Gaspar, alagoano, foi encarregado de parte das agendas regionais e apresenta a própria origem como credencial. Essa cobertura destacou a aposta na segurança pública como principal frente: o plano do partido prevê classificar facções como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, além de milícias, como organizações terroristas, ampliar o sistema prisional e endurecer o cumprimento de penas. O argumento se apoia no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, segundo o qual as dez cidades com mais de 100 mil habitantes e maiores taxas de mortes violentas intencionais estão todas na região, lideradas por Maranguape, no Ceará. A agenda inclui ainda segurança hídrica, conclusão da Transnordestina, criação do Trem do Nordeste e atração de investimento em energia limpa e tecnologia.
A cobertura de centro descreveu o mesmo movimento pelo ângulo do cálculo partidário. Em sabatina, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, afirmou que a neutralidade de MDB, Podemos, União Brasil, PP e Republicanos na disputa presidencial tem por objetivo formar bancadas nos estados: onde Lula e o Partido dos Trabalhadores são fortes, como Norte e Nordeste, o apoio explícito a Flávio Bolsonaro custaria votos aos candidatos locais, enquanto no Sudeste valeria o inverso. O caso do próprio partido do governador ilustra o ponto, já que o presidente da Câmara, Hugo Motta, eleito pela Paraíba, declarou apoio a Lula. Tarcísio usou o tema para defender reforma política, voto distrital e fim da reeleição, lembrando que Flávio Bolsonaro protocolou proposta de emenda à Constituição sobre o assunto. Na mesma sabatina, questionado sobre a alta letalidade policial em São Paulo, disse não querer 'pessoas morrendo' e reconheceu ter demorado a defender o uso de câmeras corporais.
Não há, no material reunido sobre este caso, cobertura de veículos de esquerda, e a lacuna é ela própria informativa: o peso dos programas de transferência de renda e do investimento público na formação da preferência eleitoral nordestina não aparece em nenhum dos textos, embora seja o contra-argumento mais direto à tese de que os redutos de 2022 são terreno conquistável.
O que ainda não se sabe: a data da nova viagem do candidato à Paraíba segue indefinida, não há indicação de que a neutralidade das legendas do centrão resista ao início do horário eleitoral, e nenhuma das reportagens traz resposta da campanha de Lula à ofensiva no Nordeste. Também faltam custo, prazo e fonte de financiamento das obras de infraestrutura prometidas, assim como qualquer avaliação independente sobre o efeito das mudanças penais propostas nos índices de violência da região.
Flávio mira redutos do ex-presidente no Nordeste para ampliar votos, com foco em cidades onde Jair Bolsonaro teve melhor desempenho em 2022

Governador afirma que partidos priorizaram formação de bancada nos estados e liberaram candidatos
