Flávio Bolsonaro nos EUA testa a relação entre Lula e Trump, avaliam aliados
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Flávio Bolsonaro, senador do Partido Liberal (PL) derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, deixou o Brasil pela Argentina depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mandou recolher seus passaportes, e chegou a Miami. O governo de Donald Trump autorizou a entrada. Aliados de Lula avaliam que o senador tenta provocar atrito com Washington e preferem não reagir, enquanto negociam as tarifas americanas.
Para aliados de Lula, a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e a carta em que se proclamou presidente são uma tentativa de sabotar a relação do Brasil com Trump e de desrespeitar a vontade das urnas. A leitura predominante é que a manobra pode virar um tiro no pé: desorganiza a oposição e afasta eleitores que votaram no senador só por rejeição ao presidente reeleito.
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3 fontes políticas
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Derrotado no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil pela Argentina depois que Alexandre de Moraes mandou recolher seus passaportes, e chegou a Miami com visto do governo Trump. Aliados de Lula avaliam que ele tenta provocar atrito com Washington e preferem não reagir, para preservar a negociação das tarifas.
O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL) do Rio de Janeiro, deixou o Brasil na terça-feira, 27 de outubro, dois dias depois de perder o segundo turno da eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes numa investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro. O senador nega irregularidades.
Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio entrou no país vizinho pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu, acompanhado da esposa e de duas filhas. De lá, teria seguido em avião privado para Miami, com escala no Equador. O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que concederia visto ao senador e à família. Na quarta-feira, 28, o presidente americano, Donald Trump, confirmou a autorização de entrada, mas disse que não comentaria o caso nem se envolveria nele.
Também na quarta, Flávio divulgou uma carta em que se apresentou como verdadeiro presidente eleito do Brasil e alegou fraude, sem apresentar provas. Numa versão posterior, trocou a expressão por líder do Brasil. Na véspera, ele havia dito que não deixaria o país e que entregaria os passaportes. Pelos números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 64.256.232 votos e Flávio, 59.826.041. O senador contesta a prorrogação do horário de votação autorizada pelo ministro Cristiano Zanin. Depois das 17h foram registrados cerca de 34 mil votos, menos de 0,03% do total.
A cobertura de centro relatou que aliados de Lula enxergam nos movimentos do senador uma armadilha para sabotar a relação entre o petista e Trump. A orientação no governo seria não reagir, para preservar a negociação sobre as tarifas impostas pelos americanos a produtos brasileiros. Um auxiliar do presidente disse que a presença de Flávio nos Estados Unidos não impede, por si só, a normalização das relações, e que uma eventual recusa a um pedido de extradição não romperia a relação pragmática entre os dois países. Um pesquisador da Chatham House, centro de estudos de Londres, apontou divisões em Washington: o secretário de Estado, Marco Rubio, é crítico de Lula, enquanto Trump costuma admirar líderes vitoriosos.
Veículos de esquerda destacaram a leitura de que a estratégia pode ser um tiro no pé. Deram espaço ao líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, que chamou a carta de ato de conspiração contra o Brasil, e ao líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, que falou em traição à pátria. Enfatizaram ainda a nota de PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT, segundo a qual a contestação do resultado não se sustenta e o próprio PL reconheceu as urnas. Para esse grupo, a saída desorganiza a oposição e pode afastar eleitores que votaram no senador mais por rejeição a Lula.
Veículos de direita não publicaram, até agora, cobertura própria reunida nesta história. A posição do senador aparece pelas próprias declarações: ele chamou a ordem de Moraes de tentativa de intimidação e citou a extensão do horário de votação para contestar o pleito.
Ainda não se sabe se o governo brasileiro pedirá a extradição de Flávio, nem como os Estados Unidos responderiam. Também não está claro o efeito do episódio sobre as negociações tarifárias. O senador é investigado em duas ações no STF, ligadas ao caso do Banco Master e a desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e perde o foro especial em fevereiro, quando deixa o mandato.
Segundo alto funcionário do governo Trump, Departamento de Estado vai oferecer visto a Flávio Bolsonaro e família.

Aliados de Lula avaliam que Flávio Bolsonaro tenta tensionar a relação com Trump e que sua ida aos EUA pode enfraquecer a oposição.

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