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A Polícia Federal identificou, em mensagens extraídas do WhatsApp do jornalista maranhense Luís Pablo Almeida, a origem das informações usadas em reportagens sobre veículos oficiais cedidos pelo Tribunal de Justiça do Maranhão e utilizados pelo ministro Flávio Dino, do STF, e por familiares. Com base nesse material, o ministro Alexandre de Moraes autorizou buscas e apreensões cumpridas na terça-feira contra o delegado aposentado Raimundo Cutrim, ex-secretário estadual apontado como a fonte, e contra o advogado Diogo Diniz Lima, ex-secretário municipal de São Luís. A investigação apura suposta perseguição e violação de sigilo funcional. O relatório policial registra uma transferência de R$ 100 mil do advogado ao jornalista, feita pela conta de um terceiro; o jornalista diz ter sido empréstimo já devolvido, ligado à compra de um imóvel rural. Entidades de imprensa afirmam que a decisão desconsidera o sigilo da fonte previsto no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição. O gabinete do ministro nega uso irregular de veículos oficiais.
A Polícia Federal identificou, em mensagens do WhatsApp de um jornalista maranhense, a fonte de reportagens sobre o uso de veículos oficiais por Flávio Dino. Alexandre de Moraes autorizou buscas contra o ex-secretário apontado como fonte e contra um advogado. Entidades de imprensa afirmam que a medida atinge o sigilo da fonte previsto na Constituição.
A Polícia Federal identificou a origem das informações usadas em reportagens sobre veículos oficiais cedidos pelo Tribunal de Justiça do Maranhão e utilizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e por familiares. A identificação saiu de mensagens extraídas do WhatsApp do jornalista maranhense Luís Pablo Almeida, cujo notebook, dois celulares e um pendrive haviam sido apreendidos em março, em operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Com base nesse material, Moraes autorizou novas buscas e apreensões, cumpridas na terça-feira, contra o delegado aposentado Raimundo Cutrim, ex-secretário estadual de Assuntos Legislativos do Maranhão, apontado no relatório como a fonte, e contra o advogado Diogo Diniz Lima, ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís.
Toda a cobertura converge no essencial. A investigação apura possível prática de perseguição e violação de sigilo funcional, sob o argumento de que o ex-secretário se valeu do cargo para acessar sistemas de uso controlado. O caso foi aberto no fim do ano passado, depois que a equipe de segurança do gabinete do ministro alegou monitoramento ilegal de deslocamentos em São Luís e acionou a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Inicialmente sorteado para outro gabinete, o processo migrou para Moraes por similaridade com o inquérito das fake news, aberto há sete anos. O relatório policial também registra uma transferência de R$ 100 mil feita pelo advogado em benefício do jornalista, executada pela conta de um terceiro e relacionada, segundo os investigadores, à compra de um imóvel rural.
A cobertura de centro deu peso à reação institucional. Associações que representam jornais, emissoras de rádio e televisão, editores de revistas e o jornalismo investigativo divulgaram manifestações falando em ameaça à liberdade de imprensa e em precedente perigoso, sustentando que o sigilo da fonte está assegurado no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição e que questionamentos a reportagens se resolvem por direito de resposta e indenização. Esse mesmo bloco registrou o contraditório de todos os citados: o jornalista afirma que os R$ 100 mil foram empréstimo devolvido em fevereiro, sem relação com as matérias; a defesa do ex-secretário nega qualquer vínculo com a transação; o advogado confirma o empréstimo já quitado e diz ter apenas opinado sobre uma reportagem já publicada; e o gabinete do ministro nega uso irregular de veículos, informando que um carro blindado foi cedido a pedido da segurança do próprio tribunal.
Veículos de direita concentraram o relato no conteúdo do relatório policial. O foco recaiu sobre o método, com a descrição de como os investigadores acessaram a conta de mensagens a partir do notebook apreendido, sobre a identificação nominal da fonte, sobre a alegação de que o advogado orientava temas a serem publicados e pediu que mensagens fossem apagadas, e sobre o rastreamento financeiro que levou à transferência dos R$ 100 mil dentro de uma negociação de imóvel avaliada em R$ 461 mil. Nesse recorte, o rótulo de jornalista crítico do ministro organiza a narrativa, e a discussão constitucional sobre o sigilo da fonte não aparece.
Até o momento não havia registro de cobertura de veículos de esquerda sobre o episódio, o que deixa sem contraste o ângulo que costuma organizar essa leitura: o uso de acesso funcional a sistemas restritos por um secretário estadual e o financiamento da produção de conteúdo político. A ausência é relevante porque o caso reúne, ao mesmo tempo, uma garantia constitucional da imprensa e uma suspeita de dinheiro circulando entre agente público, advogado e jornalista.
O que ainda não se sabe é decisivo. A decisão divulgada não estabelece relação entre o pagamento e a publicação das reportagens, nem entre o valor e a pessoa identificada como fonte. Não há informação sobre eventual manifestação da Procuradoria-Geral da República quanto à quebra do sigilo da fonte, sobre pedido de revisão da medida no tribunal ou sobre prazo de conclusão da apuração. O relator do caso não comentou.
Toda a cobertura confirma que a Polícia Federal chegou à fonte por mensagens extraídas do aparelho apreendido do jornalista, que Alexandre de Moraes autorizou as buscas cumpridas na terça-feira contra o ex-secretário Raimundo Cutrim e o advogado Diogo Diniz Lima, e que o relatório registra uma transferência de R$ 100 mil do advogado ao jornalista feita pela conta de um terceiro.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Texto factual, ancorado em trechos literais da decisão e do relatório policial, com contraditório de todos os citados: o jornalista explica a transferência como empréstimo, a defesa de Cutrim nega vínculo, o advogado responde, o gabinete do ministro nega irregularidade e o relator é procurado. As críticas de liberdade de imprensa aparecem atribuídas às entidades, sem que o texto assuma a tese como própria. O vocabulário é neutro e o enquadramento é do tipo fato mais contexto institucional.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
O texto adota integralmente a perspectiva investigativa do relatório policial: descreve como o acesso ao aparelho levou à identificação da fonte, detalha o rastreamento financeiro e conclui pela suspeita de encomenda de matérias. O rótulo de jornalista crítico do ministro enquadra o alvo pela posição política, e a ênfase recai em accountability e rastreio de dinheiro, marcador do campo à direita na rubrica. Falta contraditório dos citados e o argumento constitucional do sigilo da fonte não aparece.

Entidades de imprensa contestaram decisão, que ignorou direito previsto na Constituição

A Polícia Federal (PF) afirma ter identificado, a partir de mensagens encontradas no WhatsApp do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição
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Perspectivas omitidas
Falácias identificadas


