O candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, afirmou em sabatina realizada na quarta-feira, 5 de agosto de 2026, que, se eleito, não cumpriria decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal que considerasse ilegais. A entrevista, conduzida por duas jornalistas em estúdio no Rio de Janeiro e transmitida ao vivo, abriu uma série de sabatinas com presidenciáveis e durou cerca de uma hora e meia.
Questionado sobre a relação que teria com o Judiciário, o candidato disse que decisão ilegal não se cumpre e que não seria um presidente boneco. Ao ser confrontado sobre quem definiria a ilegalidade, respondeu que a definição está na Constituição e não em sua avaliação pessoal, e afirmou que discutiria o tema com a Corte antes de qualquer descumprimento. Ele citou como exemplo decisões tomadas por um único ministro que, no entendimento dele, invadam atribuições do Legislativo ou do Executivo.
No campo econômico, o candidato descreveu o país como vivendo um drama fiscal e defendeu medidas para conter o crescimento das despesas obrigatórias. Entre elas estão a desvinculação de recursos destinados à saúde e à educação e a desindexação de benefícios atrelados ao salário mínimo, como aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada. Segundo ele, o gasto indexado pressiona a dívida e os juros, e a economia gerada com os cortes viraria superávit e investimento, inclusive em presídios. Sobre a PEC de equilíbrio fiscal articulada por um aliado no Congresso, disse que aceitaria fatiar o texto para facilitar a tramitação e que negociaria apoio com partidos do Centrão, a quem chamou de parasitas, ressalvando que não faria negociações não republicanas.
Em segurança pública, defendeu o uso temporário do estado de defesa para operações contra o crime organizado e explicou o slogan prendeu, matou como recado político de enfrentamento duro à criminalidade. Ao ser lembrado de sua admiração declarada pelo presidente de El Salvador, negou pretender reproduzir no Brasil prisões sem mandado judicial, julgamentos coletivos ou detenções baseadas em denúncia anônima, e disse que o país sul-americano não é comparável ao Brasil. Também defendeu um plano de desfavelização baseado em investimento privado, afirmou que não permitiria novas ocupações irregulares, propôs substituir cotas raciais por um sistema de bolsas e disse pretender criar um código unificado da imprensa. Ao ser questionado sobre políticas contra a violência de gênero, admitiu que seu programa não trata do feminicídio, disse considerar o tema urgente e recusou o que chamou de proselitismo. Afirmou ainda se arrepender de uma piada sobre estupro feita em vídeo de 2017 e disse que seu vice fez mea-culpa por ter defendido os atos golpistas de 8 de janeiro.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o episódio, com uma reportagem principal, uma cobertura em tempo real e chamadas de serviço. A cobertura é predominantemente factual: reproduz as falas com aspas literais, contextualiza termos técnicos como decisão monocrática e desindexação, e descreve as medidas do modelo estrangeiro de segurança mencionado pelo candidato. Não há, no conjunto disponível, leituras concorrentes de outros perfis editoriais nem contraditório de adversários, do Judiciário ou de especialistas sobre as propostas apresentadas.
A série de sabatinas convidou os cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho, com a ordem definida por sorteio em 27 de julho, na presença de representantes das campanhas. O presidente Lula, sorteado para 4 de agosto, informou por meio da assessoria que não compareceria. Romeu Zema e Ronaldo Caiado confirmaram presença para os dias seguintes, e Flávio Bolsonaro, previsto para 10 de agosto, ainda não havia confirmado. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.
O que ainda não se sabe é se o candidato ausente participará em outra data e se o convidado que não confirmou comparecerá. Também não há detalhamento público do texto atual da PEC fiscal citada, do impacto orçamentário estimado das desvinculações, das regras do sistema de bolsas que substituiria as cotas, nem de como o descumprimento de uma decisão judicial se daria na prática sem confronto institucional.