Uma sequência de pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral e divulgadas entre 29 de julho e 5 de agosto de 2026 recompôs o retrato da corrida presidencial e de duas disputas estaduais decisivas. No cenário nacional, o presidente candidato à reeleição aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30% do senador do PL. Em um eventual segundo turno, os números são de 44% a 39%. A margem de erro é de dois pontos percentuais e foram ouvidos 2.004 eleitores entre 31 de julho e 3 de agosto, com nível de confiança de 95%.
O dado que organiza a leitura de toda a rodada é o movimento, não o placar. A vantagem do presidente no segundo turno passou de seis pontos em junho para oito em julho e agora está em cinco. No primeiro turno, a diferença caiu de doze para nove pontos. Entre os eleitores independentes, descolados dos dois polos e considerados decisivos, o presidente caiu de 40% para 33% em um mês, enquanto o senador subiu de 27% para 30% e chegou a 81% entre eleitores de direita que não se identificam com o bolsonarismo. A rejeição do presidente subiu de 50% para 52% e a do adversário caiu de 57% para 54%.
Nas disputas estaduais, o quadro é heterogêneo. Na Bahia, um levantamento divulgado em 29 de julho, com 1.200 entrevistas domiciliares realizadas entre 23 e 27 do mesmo mês, apontou empate técnico entre o ex-prefeito de Salvador e o governador nos dois turnos: 39% a 38% no primeiro e 43% a 39% no segundo, cenário descrito como estável desde a rodada de abril. Já em 3 de agosto, outro instituto, que ouviu 1.400 eleitores em 60 municípios entre 31 de julho e 2 de agosto, com margem de 2,7 pontos, registrou 50,9% para o ex-prefeito contra 40% do governador no segundo turno. Em Goiás, o ex-governador do estado lidera o cenário presidencial local com 33%, contra 27% do senador e 23% do presidente, com rejeições de 24%, 52% e 64%, respectivamente.
A cobertura de centro, que concentra a maior parte das reportagens sobre esta rodada, tratou o material de forma predominantemente técnica: percentuais, amostras, períodos de campo, margens de erro, protocolos de registro na Justiça Eleitoral e, em um dos casos, o custo do estudo e a empresa que o contratou. Essa cobertura também situou os números no contexto factual do período, mencionando tanto os inquéritos abertos para investigar o filho do presidente quanto o contrato de ao menos meio milhão de reais do escritório de advocacia do senador com uma empresa ligada a um banco liquidado, além da convenção que oficializou a candidatura do parlamentar.
Veículos de direita presentes no conjunto mantiveram o registro factual e enfatizaram a estabilidade da disputa baiana e o desempenho dos candidatos governistas na corrida ao Senado do estado, sem editorializar o dado. Veículos de esquerda estão praticamente ausentes desta rodada de cobertura, o que caracteriza um ponto cego: a leitura que costuma partir desse campo, apoiada nos mesmos números, destacaria que o presidente vence todos os quatro cenários de segundo turno testados e concentra apoio entre eleitores do Nordeste, beneficiários de programas de transferência de renda, pessoas pretas e faixas de menor renda e escolaridade.
A divergência mais concreta desta rodada não é ideológica, e sim metodológica. Dois institutos mediram o mesmo segundo turno na Bahia com poucos dias de intervalo e chegaram a resultados incompatíveis entre si: empate técnico de quatro pontos em um caso, vantagem de quase onze pontos no outro. Nenhuma das reportagens confronta os dois levantamentos ou explica a diferença de método, tamanho de amostra e forma de coleta que poderia justificá-la.
O que ainda não se sabe é considerável. Não há medição do efeito isolado dos episódios recentes citados sobre a variação dos percentuais nacionais, nem manifestação das campanhas sobre os números. Em Goiás, o instituto não testou o confronto direto entre os dois nomes de oposição melhor colocados. Na Bahia, os cenários de primeiro turno, rejeição e avaliação do governador aparecem anunciados sem números em parte da cobertura. E, com 31% dos entrevistados dizendo que ainda podem mudar de voto e a campanha oficial apenas começando, a estabilidade sugerida por algumas séries permanece em aberto.