O ex-governador Ciro Gomes, hoje filiado ao PSDB, lidera a disputa pelo governo do Ceará contra o governador Elmano de Freitas, do PT, segundo dois levantamentos divulgados em dias seguidos no fim de julho de 2026. A pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 30 de julho, aponta Ciro com 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Elmano. Em simulação de segundo turno, a vantagem sobe para 48% a 35%. Na véspera, em 29 de julho, o Ipsos-Ipec havia apresentado um quadro semelhante: 43% a 31% no primeiro turno e 50% a 41% no segundo.
Os dois institutos convergem no essencial. A Genial/Quaest ouviu 1.002 eleitores presencialmente entre 24 e 28 de julho, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%, sob registro CE-09277/2026 na Justiça Eleitoral. O Ipsos-Ipec entrevistou 800 pessoas em 39 municípios entre 23 e 26 de julho, com a mesma margem de erro, sob registro BR-07235/2026. Em ambos, o terceiro colocado no cenário estadual, o senador Eduardo Girão, fica na casa de um dígito, e nenhum outro nome testado ultrapassa a margem de erro.
A cobertura de centro concentrou-se na descrição dos números e da metodologia, com comparação sistemática à rodada anterior, de abril. Essas matérias registraram que a variação do segundo turno, de 46% para 48%, está dentro da margem de erro e caracteriza estabilidade, não crescimento. Também trouxeram os indicadores que não favorecem o candidato líder: a gestão estadual é aprovada por 52% dos entrevistados e desaprovada por 33%, e 51% dizem que o governador merece ser reeleito. No recorte presidencial no Ceará, o presidente Lula marca 55% no primeiro turno contra 22% do senador Flávio Bolsonaro, e chega a 60% em todos os cenários de segundo turno testados. Violência aparece como principal problema do estado para 53% do eleitorado, seguida de saúde, com 18%.
Veículos de direita deram outra ênfase. Trataram a disputa como possibilidade de encerrar cinco mandatos consecutivos do mesmo campo político no comando do estado e destacaram os indicadores adversos ao governo: a rejeição do governador, de 39%, a maior entre os candidatos, e o aumento da avaliação negativa da gestão, de 19% para 23% desde abril. Essas matérias também colocaram no centro a aliança entre o candidato líder e o PL, viabilizada pela aproximação com Flávio Bolsonaro, e relataram que a parceria provocou atrito interno no campo conservador, já que Michelle Bolsonaro defendia outro nome para a disputa estadual.
Veículos de esquerda não aparecem no conjunto de matérias reunido sobre este levantamento. A leitura que esse campo costuma fazer em cenários assim, de que aprovação majoritária da gestão e força eleitoral do governo federal no estado não se convertem automaticamente em voto para o candidato incumbente, aparece apenas de forma dispersa nos dados, sem cobertura que a articule.
Há divergências pontuais entre os relatos. O percentual atribuído ao terceiro colocado varia de 3% a 6% conforme a matéria e o instituto, e uma das coberturas registra o candidato com legenda diferente da informada pelas demais. A distância no segundo turno também muda de acordo com o levantamento: 13 pontos em um, 9 pontos no outro. Nenhuma das matérias confronta diretamente os dois institutos.
O que ainda não se sabe é o desfecho das convenções partidárias e a composição final das chapas, incluindo se o apoio do PL ao candidato do PSDB será formalizado. Também segue em aberto o comportamento do eleitorado indeciso, que soma 13% no cenário de primeiro turno, e do contingente de 48% que declara que a escolha de voto ainda pode mudar até a votação de outubro. As campanhas não se manifestaram sobre os números nas matérias analisadas.