A gestão do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), chega ao fim de julho de 2026 com o eleitorado gaúcho dividido ao meio. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado em 22 de julho aponta que 48,4% dos entrevistados aprovam a administração estadual, enquanto 47,9% a desaprovam. Outros 3,7% não souberam responder ou preferiram não opinar. A diferença de meio ponto percentual entre aprovação e desaprovação é menor que a margem de erro do levantamento, o que configura empate técnico.
Quando a pergunta muda de aprovação para qualidade da gestão, o quadro fica mais duro para o Palácio Piratini. Nesse recorte, 35,1% dos gaúchos classificam a administração como ruim ou péssima, contra 30% que a consideram ótima ou boa. O maior bloco isolado é o dos que avaliam o governo como regular, com 32,8%, e 2,1% não responderam. O descompasso entre os dois indicadores é comum em pesquisas de avaliação, porque aprovar um governo não exige considerá-lo bom, e o levantamento divulgado não traz explicação para a diferença.
Os recortes demográficos revelam um estado partido por sexo, idade, escolaridade e inserção no mercado de trabalho. A aprovação é majoritária entre mulheres, com 54,1% contra 40,9% de rejeição, e entre pessoas com 60 anos ou mais, faixa em que atinge 53,8%. A desaprovação, por sua vez, predomina entre os homens, com 55,7%, entre eleitores de 45 a 59 anos, com 50,9%, e entre quem tem ensino médio completo, com 51,2%. O corte por atividade econômica é o mais nítido: entre os que não estão economicamente ativos, a aprovação chega a 55%; entre a população economicamente ativa, a desaprovação alcança 51,2%.
A metodologia está detalhada. Foram 1.500 eleitores ouvidos presencialmente, em domicílio, em 60 municípios do Rio Grande do Sul, com coleta realizada entre 16 e 19 de julho de 2026. O grau de confiança declarado é de 95% e a margem de erro, de 2,6 pontos percentuais para os resultados gerais. O levantamento está formalmente registrado no Tribunal Regional Eleitoral sob o número RS-09313/2026, exigência legal para pesquisas eleitorais divulgadas em ano de eleição.
Até o momento, apenas um veículo cobriu esses números, o que limita a comparação de enquadramentos. Não há, portanto, leituras concorrentes de esquerda, de centro ou de direita publicadas sobre o mesmo levantamento. A cobertura disponível é descritiva: reporta os percentuais e os recortes sem contraponto, sem manifestação do governo estadual e sem análise de causas. Vale registrar que o título destaca o pior indicador da pesquisa, os 35,1% de avaliação ruim ou péssima, enquanto o corpo do texto mostra aprovação geral tecnicamente empatada — uma escolha de recorte que ilustra como o mesmo conjunto de números admite ênfases distintas.
O que ainda não se sabe é o essencial para interpretar a tendência. Não há série histórica nem comparação com levantamentos anteriores do mesmo instituto, de modo que é impossível dizer se o governo sobe, cai ou se estabiliza. Também não foram divulgados o contratante e o financiador da pesquisa, não há reação do Palácio Piratini nem de adversários, e a pesquisa não mede satisfação com áreas específicas como saúde, educação, segurança ou reconstrução pós-enchentes. Sem esses dados, a única conclusão segura é a divisão do eleitorado gaúcho a poucos meses da eleição estadual.