Keiko Fujimori tomou posse como presidente do Peru na terça-feira, 28 de julho de 2026, data em que o país celebra os 205 anos de sua independência. Em discurso no Congresso, onde seu partido, o Força Popular, tem maioria, ela anunciou que, durante estados de emergência, as Forças Armadas assumirão temporariamente o comando das operações de segurança em áreas dominadas pelo crime organizado, pelo narcotráfico e pela mineração ilegal. Eleita em junho por margem inferior a 50 mil votos sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez, ela governará até 2031 e se torna a nona chefe de Estado do país em uma década marcada por impeachments, renúncias e crises sucessivas.
A cobertura de centro relatou os fatos com foco no diagnóstico de segurança: os homicídios saltaram de cerca de mil em 2018 para 2,6 mil em 2025, e as denúncias de extorsão passaram de 3,2 mil para 26,5 mil no mesmo período. Também destacou a presença de líderes estrangeiros na cerimônia, entre eles os presidentes da Argentina, do Equador, do Paraguai e do Uruguai, e a representação do Brasil pelo chanceler Mauro Vieira, além das primeiras nomeações ministeriais, como o economista Elmer Cuba na Economia e Luis Galarreta na chefia do gabinete.
Veículos de esquerda enfatizaram o legado autoritário do fujimorismo, lembrando que o pai da presidente, Alberto Fujimori, foi condenado por corrupção e violações de direitos humanos, e trataram a militarização como uma aposta perigosa que remete à década de 1990. Descreveram a posse como parte de uma onda de direita na América do Sul e ressaltaram os protestos de familiares de vítimas do conflito interno peruano, que se reuniram em Lima para pedir justiça.
Veículos de direita enfatizaram a promessa de restaurar a ordem, reduzir burocracias e abrir a economia ao investimento privado, apresentando as medidas de segurança, como busca e apreensão, tribunais com juízes anônimos e expulsão de imigrantes irregulares, como resposta ao agravamento da violência. Ressaltaram ainda o discurso de reconciliação nacional e a limitação política do novo governo, que não terá maioria suficiente no Congresso para aprovar tudo sem negociar com outras bancadas.
O que ainda não se sabe é como a militarização será executada na prática, quais serão os limites legais do papel das Forças Armadas na ordem interna e se o governo conseguirá formar maioria parlamentar para suas propostas. Também permanece incerto o impacto do fenômeno climático El Niño, apontado como um dos mais severos desde 1998, sobre a economia peruana e sobre a capacidade do novo governo de estabilizar o país.