O governo federal lançou nesta terça-feira, 30 de junho, o novo ciclo do Plano Safra 2026/2027, principal programa de crédito rural do país. Ao todo, foram anunciados R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, com aumento de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior, e R$ 97,3 bilhões para a agricultura familiar. O novo plano entra em vigor em 1º de julho e vale até 30 de junho de 2027.
Na parte destinada à agricultura familiar, R$ 85,2 bilhões vão para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf, um aumento de quase 9% em relação à última safra. A taxa de financiamento para a produção de alimentos básicos, como arroz, feijão, mandioca, frutas e leite, caiu de 3% para 2% ao ano. Para a produção orgânica e agroecológica, os juros recuaram para 1% ao ano. Segundo a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, o programa já alcança 2,4 milhões de agricultores. Em paralelo, o governo lançou uma nova fase do programa Desenrola, voltada a trabalhadores informais que estão com as contas em dia.
A cobertura de centro relatou os números de forma objetiva: veículos como o G1 destacaram o volume total de R$ 525,1 bilhões, a comparação com o ciclo passado e a promessa de mudança nas regras do crédito rural, com o plano vigorando a partir de 1º de julho. Foi um registro factual, sem juízo de valor, centrado na dimensão do anúncio.
Veículos de esquerda destacaram o caráter inclusivo do plano. A Agência Brasil enfatizou as linhas específicas para mulheres rurais, com crédito de até R$ 100 mil, e para jovens, assentados, povos indígenas e comunidades quilombolas, que tiveram limites e assistência técnica ampliados. A ênfase recaiu sobre a redução dos juros para alimentos básicos e para a produção agroecológica, apresentada como fortalecimento da segurança alimentar e do papel do Estado como garantidor de renda no campo. A frase do presidente Lula, de que a melhor arma de um país é o alimento, sintetizou esse enquadramento.
Veículos de direita enfatizaram o ângulo econômico e fiscal. A cobertura da Record News, ao tratar da nova fase do Desenrola para informais adimplentes, ouviu o economista Miguel Daoud, que classificou a medida como um alívio financeiro temporário, e não como solução estrutural para o endividamento. Nesse recorte, ganha peso o custo do crédito subsidiado, sustentado por equalização de juros paga pelo Tesouro, e a preocupação com a sustentabilidade do gasto público.
O que ainda não se sabe é o custo fiscal total da operação para o Tesouro, o detalhamento completo das novas regras do crédito rural mencionadas por parte da imprensa e qual será o efeito prático das linhas para informais sobre os índices de inadimplência. Nenhuma das fontes trouxe avaliação independente consolidada sobre o retorno econômico do subsídio.