Governo de Minas patrocina clubes com R$ 32 milhões após proibição das bets
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O Governo de Minas Gerais anunciou em 29 de setembro um patrocínio de R$ 32 milhões a Atlético, Cruzeiro e América, pago por verbas de publicidade da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais e da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A medida responde à Medida Provisória nº 1.394, que proibiu as apostas de quota fixa e seus patrocínios. O governador Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição, foi criticado por adversário no debate.
Pelo prisma da esquerda, o caso põe em xeque o uso de dinheiro de estatais estaduais para cobrir o rombo deixado pelas casas de apostas em clubes privados, alguns deles sociedades anônimas do futebol, a poucos dias da eleição em que o governador busca um novo mandato. A leitura destaca que os mesmos clubes defenderam as bets publicamente semanas antes.
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O governador Mateus Simões anunciou patrocínio de R$ 32 milhões da Cemig e da companhia estadual de desenvolvimento a Atlético, Cruzeiro e América, após a medida provisória que proibiu as bets. O anúncio, a dias do primeiro turno, foi criticado por adversário no debate.
O Governo de Minas Gerais anunciou, na terça-feira, 29 de setembro, um patrocínio de R$ 32 milhões aos três maiores clubes do estado: Atlético, Cruzeiro e América. O anúncio foi feito pelo governador Mateus Simões, do PSD, na sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, em Belo Horizonte, durante reunião com representantes dos times.
A medida responde à Medida Provisória nº 1.394, publicada pelo governo federal em 25 de setembro, que proibiu a exploração, a oferta e a publicidade das apostas de quota fixa no país, as chamadas bets, incluindo os patrocínios de clubes. Pela regra, o material publicitário deve ser retirado até 5 de outubro.
Os dois veículos que cobriram o caso convergem nos números. Atlético e Cruzeiro receberão R$ 15 milhões cada, e o América, R$ 2 milhões. O acordo terá duração de um ano, e os recursos devem chegar aos clubes em janeiro de 2027. O dinheiro sairá de verbas de publicidade de duas estatais, a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais e a Companhia Energética de Minas Gerais, a Cemig, cujas marcas serão estampadas nos uniformes, em espaço ainda a definir. O governo também pretende negociar com dois clubes do interior, o Athletic, de São João del-Rei, e o Uberlândia.
Segundo o governador, o valor equivale a cerca de um terço do que os clubes recebiam das casas de apostas e segue parâmetros já adotados pelo Banrisul, banco estadual do Rio Grande do Sul. O Atlético tinha contrato master de R$ 60 milhões por temporada com uma casa de apostas, e o Cruzeiro, um acordo estimado em R$ 43 milhões. Dirigentes dos três clubes elogiaram a iniciativa.
A diferença entre as coberturas está no contexto político. Um veículo de esquerda publicou relato factual de agência esportiva, centrado nos valores e nas falas de apoio de dirigentes, sem mencionar a eleição. A cobertura de centro acrescentou que Simões é candidato à reeleição e que o anúncio veio a poucos dias do primeiro turno. Ela registrou que o candidato Gabriel Azevedo, do MDB, classificou a ajuda como absurda no debate entre candidatos ao governo. Também lembrou que, no fim de agosto, o próprio governador havia chamado as bets de praga e proibido sua publicidade em estádios concedidos, como o Mineirão. E apontou que os clubes contemplados tinham assinado, duas semanas antes, uma nota conjunta em defesa das casas de apostas. Simões respondeu nas redes que o patrocínio prevê contrapartidas, como ingressos a preços populares, apoio a esportes olímpicos e paralímpicos e manutenção do futebol feminino. Nenhum veículo de direita havia coberto o caso até o momento.
Ainda não se sabe qual espaço as marcas das estatais ocuparão nas camisas, quais contrapartidas entrarão de fato nos contratos, que ainda serão assinados, nem quanto os clubes do interior poderão receber. Também não há informação sobre o impacto do gasto no orçamento de publicidade da Cemig e da companhia de desenvolvimento.
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