O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira, 29 de junho, a senadora Teresa Leitão, do PT de Pernambuco, no Palácio do Planalto. Foi o primeiro encontro entre os dois desde que ela assumiu a liderança do governo no Senado, tornando-se a primeira mulher a ocupar a função. Participou também da reunião o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. A prioridade declarada do governo é destravar a chamada PEC do fim da escala 6x1, que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e implementação gradual em 14 meses.
Teresa Leitão substitui o senador Jaques Wagner, que deixou o cargo após se tornar alvo da operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A apuração investiga o Banco Master e seu fundador, Daniel Vorcaro, e Wagner é suspeito de ter recebido propina em troca de atuação no Congresso em favor da instituição. A nova líder já está na metade do mandato de oito anos e não disputará as eleições deste ano, o que, segundo a cobertura, lhe dá mais tempo para se dedicar à articulação política.
Veículos de centro relataram que o Planalto aguarda, ainda nesta semana, um encontro entre Teresa Leitão e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá. A relação entre o governo e a presidência da Casa segue desgastada desde a rejeição do nome de Jorge Messias, advogado-geral da União, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal. Foi a primeira vez em 132 anos que o Senado rejeitou um indicado à Corte, episódio apontado por aliados como um dos fatores que pesaram contra a permanência de Wagner na liderança. A cobertura de centro também registrou que o otimismo do governo sobre aprovar a PEC antes do recesso, marcado para 18 de julho, diminuiu nos últimos dias, diante do prazo curto de três semanas.
Veículos de esquerda enfatizaram a dimensão social e simbólica do momento: a chegada da primeira mulher à liderança governista e o fim da escala 6x1 como conquista histórica da classe trabalhadora, com mobilização de sindicatos nas ruas em defesa do texto. Nesse enquadramento, a resistência do Senado em pautar a proposta aparece como obstáculo a uma demanda popular legítima. Também é valorizada a PEC da Segurança Pública, que daria status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública e aos fundos nacionais de segurança e penitenciário.
Veículos de direita enfatizaram o desgaste do governo e o pano de fundo de suspeição: a troca de líder motivada por uma operação da Polícia Federal, a sucessão de derrotas do Planalto no Senado e a postura de Alcolumbre, que já descartou votar a PEC diretamente no plenário e afirmou que a Casa não será apenas 'carimbadora' da versão aprovada pela Câmara. Nesse recorte, ganha relevo a existência de pautas de alto impacto fiscal para a União em tramitação e a intenção declarada do governo de aprovar os textos antes das eleições para usá-los como bandeira, o que, na leitura desses veículos, levanta dúvidas sobre a urgência real.
O que ainda não se sabe é a data exata do encontro entre Teresa Leitão e Alcolumbre, que até o fechamento das matérias não havia sido fechada. Também permanece em aberto quais mudanças o Senado pretende propor ao texto da PEC, qual será o novo líder do PT na Casa, decisão prevista para esta semana entre Camilo Santana e Beto Faro, e se haverá tempo hábil para aprovar a proposta antes do recesso parlamentar.