O governo dos Estados Unidos enviou ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, na semana passada, o pedido formal de agrément para indicar Daniel Perez como novo embaixador americano em Brasília. O agrément é a etapa em que o país anfitrião manifesta concordância com o nome escolhido antes de sua nomeação definitiva. A informação foi confirmada por fontes do governo norte-americano.
Daniel Perez foi designado por Donald Trump no dia 1º de junho, antes das consultas formais ao Brasil. Como aponta a cobertura de centro, os Estados Unidos contrariaram a praxe diplomática ao anunciar o nome antes de encaminhar a consulta ao Itamaraty. Perez presidiu a Câmara de Representantes da Flórida e é filho de imigrantes cubanos; nasceu em Nova York e mudou-se para a Flórida ainda criança. Sua indicação ainda precisa passar por sabatina e confirmação no Senado dos Estados Unidos. O posto de embaixador está vago desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada por Joe Biden, e a missão americana é hoje comandada pelo encarregado de negócios Gabriel Escobar.
Todos os veículos convergem nos fatos centrais: o envio do agrément, o perfil de Perez, a pendência de confirmação no Senado americano e a inversão da ordem diplomática por parte de Washington. A divergência está na ênfase. Veículos de esquerda destacaram a proximidade de Perez com o movimento MAGA e seu apoio público à operação americana contra o regime de Nicolás Maduro, situando a indicação no contexto do tarifaço de Trump contra o Brasil e da véspera das eleições de 2026. Nessa leitura, o episódio integra uma pressão externa sobre a soberania e a democracia brasileiras. A cobertura de centro relatou o mesmo conjunto de fatos de forma descritiva, sublinhando o rito diplomático e o histórico do posto sem atribuir intenção. Veículos de direita, por sua vez, tenderam a enfatizar a retomada da representação diplomática plena, vaga desde o governo Biden, a trajetória política de Perez e sua sintonia com o secretário de Estado Marco Rubio, também da Flórida e de origem cubana.
Analistas ouvidos pela imprensa acrescentaram uma camada de contexto regional. Uma especialista em relações internacionais na América Latina avaliou que os Estados Unidos devem tensionar as eleições brasileiras de 2026, no rastro da guinada à direita em países como Peru, Colômbia, Argentina, Bolívia e Chile. Essa leitura, porém, aparece como interpretação de uma fonte, não como fato consumado.
O que ainda não se sabe é quando o governo Lula concederá o agrément, se haverá qualquer objeção brasileira ao nome e qual o calendário da sabatina de Perez no Senado dos Estados Unidos. Também não está claro que efeito prático a chegada do novo embaixador terá sobre o impasse tarifário e sobre a relação bilateral no ano eleitoral.