O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) desistiu da pré-candidatura ao governo do Paraná e aceitou disputar a eleição de outubro como candidato a vice na chapa de Sandro Alex (PSD), nome escolhido pelo governador Ratinho Júnior para tentar sucedê-lo. O anúncio foi feito em 31 de julho, em evento na capital paranaense com a presença do governador, e foi ratificado em 2 de agosto, na convenção estadual do MDB realizada no centro de Curitiba.
Os relatos convergem no essencial. Greca deixou o PSD em março, depois de perder espaço na disputa pela indicação ao governo, filiou-se ao MDB e passou a se apresentar como pré-candidato. A mudança de rota veio após reuniões com o governador, que formalizou o convite pessoalmente. No ato de anúncio, o ex-prefeito entregou a Sandro Alex o plano de governo que havia preparado para a própria candidatura e pediu que fosse incorporado à campanha. Com a adesão do MDB, o arco de apoios ao candidato do PSD passou a reunir também PP, União Brasil, PSDB, Cidadania e Republicanos, bloco que comanda a maioria das prefeituras do estado. A cobertura de centro registrou o roteiro do evento e da convenção, reproduziu os discursos de Greca, de Sandro Alex e do governador e lembrou que a pesquisa Genial/Quaest divulgada em 27 de julho colocava o senador Sérgio Moro (PL) e o deputado estadual Requião Filho (PDT) à frente nos cenários de primeiro turno.
As divergências aparecem no que cada lado escolheu enfatizar. Veículos de direita destacaram dois pontos ausentes do registro protocolar. O primeiro é a contradição pública: em entrevista de 23 de junho, Greca afirmou que ser vice de Sandro Alex seria uma negação de sua história e, no início de julho, escreveu nas redes sociais que não seria vice de ninguém. O segundo é o efeito colateral do acordo dentro da própria base. Segundo essa cobertura, a negociação incluiria a viabilização de uma candidatura do MDB ao Senado, o que teria surpreendido o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos), que abriu mão de disputar o governo a pedido do governador e passou a trabalhar pela candidatura do PSD. Pessoas próximas ao deputado descreveram o movimento como quebra dos entendimentos construídos nos últimos meses, e o partido ficou de avaliar a permanência na aliança em sua convenção estadual. Parte da cobertura de direita também leu o arranjo pelo tabuleiro nacional, ressaltando o isolamento de Sérgio Moro, que perdeu o apoio da federação União Brasil-PP e migrou para o PL.
Há um vazio relevante nessa cobertura: veículos de esquerda não trataram do episódio, o que deixou sem registro o ponto de vista do campo de oposição ao governo estadual, representado na disputa por nomes como Requião Filho. O leitor recebe, assim, a leitura do bloco governista e a de seus críticos à direita, sem contraponto do outro lado do espectro.
O que ainda não se sabe é considerável. As duas vagas ao Senado pelo grupo governista seguiam indefinidas, com os nomes de Alexandre Curi, da jornalista Cristina Graeml, do ex-secretário Guto Silva e do ex-governador Álvaro Dias em circulação. Não há resposta pública do PSD ou do MDB ao desconforto atribuído ao Republicanos, nem confirmação de que o partido mantém o apoio à chapa. Também não se sabe quanto do plano de governo entregue por Greca será de fato incorporado à campanha, nem se a soma das legendas altera o quadro de intenções de voto medido antes do acordo.