Minas Gerais entrou na reta final do calendário eleitoral de 2026 sem definição sobre quem disputará o governo do estado. A eleição está marcada para 4 de outubro e Minas chega às urnas com 16.377.659 eleitores aptos a votar, o equivalente a 10,32% do eleitorado nacional e o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo. Desde a redemocratização, nenhum candidato chegou à Presidência sem vencer também em Minas, o que transforma a disputa estadual em termômetro da corrida nacional.
O quadro local se movimentou nas últimas semanas. O governador Mateus Simões, herdeiro político de Romeu Zema, deixou o Novo e se filiou ao PSD, legenda que até então era comandada por dois adversários do governo mineiro: o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Em 31 de julho, o Avante decidiu em convenção apoiar a reeleição de Simões, somando-se a PSD, DC e Novo no palanque. O ganho é sobretudo de tempo de rádio e televisão, estimado entre 20 e 30 segundos adicionais, depois que a Federação União-PP deixou a chapa e Marcelo Aro rompeu com o governador para articular candidatura própria.
A cobertura de centro relatou os números que sustentam a leitura de Minas como espelho do país: o Vale do Jequitinhonha aproxima o estado do Nordeste, o Sul de Minas e a Zona da Mata reproduzem o Sudeste, o Triângulo se aproxima do Centro-Oeste e Belo Horizonte não domina o resultado. Essa cobertura lembrou também que alinhamento local não garante voto. Aécio Neves perdeu no próprio estado em 2014, mesmo tendo sido governador duas vezes, e o eleitorado mineiro já produziu combinações cruzadas entre candidatos de campos opostos em 2002, 2010 e 2022.
Veículos de esquerda destacaram outro eixo da disputa de 2026: a pressão externa sobre o país. O argumento é que a tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos em julho e a investigação comercial que alcançou o sistema brasileiro de pagamentos deslocaram o debate do terreno alfandegário para o da soberania, e que a defesa do Pix, usado por mais de 170 milhões de pessoas, virou tema eleitoral. Nesse enquadramento, a resposta pública do presidente Lula em um jornal norte-americano, em 26 de julho, serve para afirmar que as escolhas econômicas e institucionais do Brasil cabem ao voto interno. No plano estadual, a mesma leitura valoriza o retorno de Patrus Ananias, ministro responsável pela implantação do Bolsa Família, como representante do campo governista, depois das recusas de Rodrigo Pacheco e Marília Campos.
Veículos de direita enfatizaram que a centro-direita é favorita em Minas e que o problema do campo conservador é de organização, não de eleitorado. Nessa leitura, Cleitinho Azevedo liderou pesquisas por meses sem confirmar a candidatura e faltou à convenção do Republicanos; Marcelo Aro, ainda desconhecido por cerca de 40% dos mineiros, já aparece com 15% das intenções de voto; e a gestão estadual registra 40% de avaliação regular, retrato de resignação mais do que de entusiasmo. A mesma cobertura aponta que Romeu Zema, com 12% na corrida presidencial, não converte aprovação estadual em viabilidade nacional, e que o campo governista precisou recorrer a nomes tradicionais por falta de alternativa competitiva.
O que ainda não se sabe é o essencial da disputa. Não está definido se Cleitinho Azevedo será mesmo candidato, se PL e Republicanos fecharão em torno de Marcelo Aro, quais serão as chapas ao Senado e como ficará o palanque presidencial mineiro. Também não há medição pública que capture o efeito das convenções: 66% dos entrevistados não citam espontaneamente nenhum candidato ao governo e outros 11% mencionam justamente um nome cuja candidatura segue em suspenso.