O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, afirmou na quinta-feira (30) que pode não participar dos debates eleitorais de 2026 caso considere que o formato não contribui para informar a população. A declaração foi dada em entrevista a um podcast. "Eu, como presidente da República, não vou para debate ouvir bobagem", disse. Segundo ele, avaliará o nível de cada confronto antes de confirmar presença e não pretende "dar colher de chá a quem não merece".
A cobertura de centro relatou os fatos de forma factual: Lula criticou a queda de qualidade dos debates, o uso das redes sociais como "fábrica de mentiras" e disse que decidirá caso a caso. Esses veículos lembraram que o petista já faltou a debates em 2022, quando não compareceu a uma edição promovida pelo SBT alegando conflito de agenda, e também em 2006. Registraram ainda que a cúpula do PT está dividida entre quem teme a exposição do presidente e quem defende sua presença para confrontar os adversários. Uma pesquisa Atlas/Bloomberg citada na cobertura apontou Lula na liderança, com 44,9% das intenções de voto no primeiro turno.
Pela ótica dos veículos de esquerda, a eventual ausência seria uma defesa da qualidade do debate público diante da degradação promovida pela desinformação, e não um recuo; nesse enquadramento ganham relevo a reafirmação da confiabilidade das urnas eletrônicas e o argumento de que Lula disputa novo mandato para barrar a volta da extrema direita. Já os veículos de direita enfatizaram outro ângulo: líder nas pesquisas, o presidente evitaria a exposição e o confronto direto com os adversários, e o próprio quarto mandato seria sintoma de que a esquerda não formou um sucessor. Um dos textos desse campo destacou, em subtítulo, a ausência de um novo grande líder à esquerda.
Há convergência sobre os fatos centrais: a fala ocorreu no podcast, a decisão ainda não foi fechada, e os principais concorrentes citados são do campo da direita, entre eles Flávio Bolsonaro. O que ainda não se sabe é se Lula de fato faltará, de quais debates, e quando a decisão será batida pela campanha. As próprias reportagens divergem sobre a data do primeiro debate na TV: uma parte menciona 16 de agosto, outra, 23 de agosto. A definição, segundo as fontes, deve ser tomada debate a debate, conforme o momento da disputa.