O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), negou o pedido do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para ser acompanhado por uma equipe da Polícia Legislativa durante a campanha eleitoral de 2026. Gaspar é candidato a vice-presidente da República na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O despacho que rejeitou a solicitação foi assinado na quarta-feira, 19 de agosto, e veio a público no dia seguinte.
No pedido enviado à Presidência da Câmara, o deputado argumentou que a maior exposição decorrente da disputa presidencial exigia proteção pessoal e que a presença da Polícia Legislativa contribuiria para a prevenção de incidentes capazes de comprometer a normalidade do processo eleitoral, além de preservar a ordem pública e a imagem da própria Casa. Motta entendeu que a motivação não se encaixa nas regras internas: segundo nota da Câmara dos Deputados, a proteção pessoal a parlamentares só é concedida quando existe risco relacionado ao exercício do mandato, hipótese prevista no Ato da Mesa nº 213, de 2025. O despacho também menciona manifestação técnica do Departamento de Polícia Legislativa Federal, conhecido pela sigla Depol.
Toda a cobertura converge nos fatos principais. Gaspar anunciou na quinta-feira, 20 de agosto, que não recorreria da decisão, afirmando que passaria a confiar na avaliação de Hugo Motta de que não corre risco. E há um dado que dá contorno ao episódio: Flávio Bolsonaro abriu mão do esquema de segurança que a Polícia Federal oferece aos candidatos à Presidência e, até agora, é protegido apenas pela Polícia Legislativa do Senado Federal. A legislação prevê acompanhamento policial para quem disputa a Presidência, mas esse serviço não alcança automaticamente os candidatos a vice, que precisam apresentar solicitação formal.
As ênfases da cobertura, porém, se separam. A cobertura de centro concentrou-se no enquadramento normativo: reproduziu a nota oficial da Câmara, a data do despacho e o trecho em que a assessoria da Casa afirma que a candidatura a vice-presidente, apresentada como motivação para o acompanhamento durante toda a campanha, não se enquadra nas normas do Ato. Já veículos de direita deram destaque à lacuna de transparência da decisão, sublinhando que o documento não apresenta os critérios técnicos utilizados pelo Depol para concluir que a proteção era desnecessária, e trouxeram para o texto a trajetória de Gaspar na área de segurança pública, com passagens pelo Ministério Público de Alagoas e pela Secretaria estadual de Segurança Pública. Até o momento não há registro de cobertura por veículos de esquerda sobre o caso, de modo que a leitura que enfatizaria o uso de estrutura pública do Legislativo em benefício de campanha não aparece na imprensa que noticiou o episódio.
O que ainda não se sabe é justamente o que o despacho não explicita. Não foram divulgados os parâmetros da avaliação de ameaça feita pela Polícia Legislativa, nem se houve levantamento de ocorrências concretas envolvendo o deputado. Também não está esclarecido se outros candidatos com mandato parlamentar apresentaram pedidos semelhantes nesta eleição e qual foi o desfecho, nem se a Polícia Federal receberá alguma solicitação da chapa para cobrir o candidato a vice. Por fim, permanece em aberto se a Mesa Diretora pretende revisar o Ato de 2025 para tratar de forma expressa a situação de parlamentares em campanha nacional.