Articulação dos Povos Indígenas denuncia ameaças pós-eleição em Mato Grosso do Sul
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Briefing
O que importa para você
- Denúncias de eleitores impedidos de votar em escolas dentro de aldeias foram levadas ao Tribunal Superior Eleitoral.
- Guarani Kaiowá, que dependem de caminhões-pipa, relatam risco à única água disponível.
- Ministério Público Federal e Ministério da Justiça foram acionados para apurar.
Onde os lados concordam
As duas coberturas registram as denúncias da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), os áudios com ameaças e a nota conjunta dos ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial anunciando investigação.
O que ainda está incerto
- Não há análise que confirme o envenenamento da água.
- A autoria dos áudios não foi identificada.
- Governo de Mato Grosso do Sul, Polícia Federal e Tribunal Regional Eleitoral não responderam.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil denunciou ameaças, insultos racistas e tentativas de impedir o voto de indígenas Terena em Mato Grosso do Sul no segundo turno. Lideranças Guarani Kaiowá relatam suposto envenenamento da água, e três ministérios anunciaram investigação conjunta.
Lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul denunciaram ameaças, insultos racistas e tentativas de impedir o voto durante e depois do segundo turno da eleição presidencial. As denúncias foram tornadas públicas nesta terça-feira, 27 de outubro, pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, a Apib, e por parlamentares, e já chegaram a ministérios, ao Ministério Público Federal e à Justiça Eleitoral.
Os relatos envolvem dois povos. O povo Terena afirma ter sofrido intimidações e episódios de racismo dentro das próprias aldeias, inclusive com indígenas impedidos de votar em escolas instaladas nas comunidades. Muitos teriam sido chamados de "bugres", termo pejorativo e histórico usado contra povos originários. No território dos Guarani Kaiowá, lideranças relatam um suposto envenenamento da água, população que já depende de caminhões-pipa para ter água potável.
Os dois casos se apoiam em áudios de aplicativo de mensagem. Em um deles, um homem diz que é preciso "matar essas praga pela água". Em outro, defende fechar a porteira, cortar luz e água e impedir que indígenas votem. A autoria das gravações não foi identificada.
Há convergência entre as coberturas sobre a reação do governo federal. Em nota conjunta, os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Igualdade Racial afirmaram que atuam juntos para investigar denúncias de violência contra indígenas, quilombolas e povos de terreiro após o segundo turno. A nota classifica como inaceitável o uso de violência para reprimir opiniões políticas.
Os enfoques diferem. Veículos de esquerda destacaram a denúncia de envenenamento feita pela deputada federal Célia Xakriabá, do Psol, que pediu investigação ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao Ministério dos Povos Indígenas, ao Ministério Público Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral. Essa cobertura enfatizou a vulnerabilidade dos Guarani Kaiowá e o risco à vida da comunidade. A cobertura de centro relatou sobretudo as denúncias do povo Terena, reproduziu trechos dos áudios, explicou a origem racista do termo "bugres" e registrou que procurou o governo de Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal e o Tribunal Regional Eleitoral, sem resposta. Até o momento, não houve cobertura de veículos de direita sobre o caso.
Ainda não se sabe se a água foi de fato contaminada, já que nenhuma análise foi divulgada. Também não se conhece a autoria dos áudios, nem em quais escolas e aldeias o voto teria sido impedido. O governo estadual, a Polícia Federal e o Tribunal Regional Eleitoral não se manifestaram, e não há informação sobre a abertura formal de inquérito.
Fontes
Denúncia de envenenamento da água no território dos Guarani Kaiowá foi encaminhada aos ministérios da Justiça e dos Povos Indígenas, ao MPF e ao TSE.
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil aponta atuação para impedimento de votação e insultos discriminatórios em Mato Grosso do Sul; Ministérios dos Povos Indígenas pede apuração da PF
