Eleitores de Lula viram alvo de boicote e demissões, com casos em Goiás
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A leitura de esquerda trata os posts como retaliação econômica contra trabalhadores e pequenos empreendedores pelo voto em Lula, uma violação do voto secreto e da liberdade política. O volume de 530 denúncias ao Ministério Público do Trabalho em poucos dias mostra a vulnerabilidade de quem depende do emprego e a necessidade de proteção e canais de denúncia.
Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, circularam nas redes sociais posts que incentivam boicote, demissão e até violência contra eleitores do presidente. O Ministério Público do Trabalho recebeu 530 denúncias de assédio eleitoral até terça-feira, 21% do total do ano. Em Goiás, há casos em Goiânia, Nerópolis, Anicuns e Orizona.
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2 fontes políticas
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As coberturas concordam que, após a reeleição de Lula, circularam posts e listas incentivando boicote e retaliação a eleitores do presidente, e que discriminar alguém pelo voto é ilegal.
Depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, posts nas redes incentivaram boicote e demissão de eleitores do presidente. O Ministério Público do Trabalho recebeu 530 denúncias de assédio eleitoral, e em Goiás houve listas contra comerciantes e uma mensagem investigada por apologia ao nazismo.
Depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, começaram a circular nas redes sociais publicações que incentivam boicote, demissão e até violência contra eleitores do petista. O Ministério Público do Trabalho recebeu 530 denúncias de assédio eleitoral desde o resultado até o fim da tarde de terça-feira, 27 de outubro. O número equivale a 21% de tudo o que o órgão recebeu no ano.
Em Goiás, os episódios se espalharam por quatro cidades. Em Goiânia, o vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Goiás, Thales José Jayme, comentou uma publicação sobre um ato de apoiadores de Lula na Praça Universitária com a frase: "Se colocar tudo no saco e jogar no rio, o prejuízo é a perda do saco". A OAB-GO disse que opiniões pessoais de membros da gestão não representam a instituição, e o advogado publicou um pedido de desculpas. Em Orizona, a mensagem de uma mulher num grupo de WhatsApp de apoiadores de Flávio Bolsonaro, do PL, dizendo que faria "igual Hitler" com petistas, deve ser investigada por apologia ao nazismo.
Também circularam listas de boicote. A influenciadora Mayra Bitter divulgou dez empresas de Goiânia classificadas como petistas e depois retirou a publicação, ao identificar um erro. Em Anicuns, uma lista com 14 comerciantes, entre donos de espetinhos, bares e lojas de móveis, pedia que ninguém gastasse com eles. Em Nerópolis, os donos de uma sanduicheria disseram em vídeo que não receberiam petistas. A empresa manteve a posição, afirmou que exercer a liberdade de expressão não exige retratação e alegou que o vídeo foi interpretado fora de contexto.
A cobertura de centro concentrou-se nos casos de Goiás, com as manifestações de cada envolvido e a análise de um cientista político, Francisco Tavares, para quem parte dos eleitores não sabe lidar com a frustração de um resultado adverso. Veículos de esquerda deram o enquadramento trabalhista: destacaram os áudios de patrões incentivando demissões, o dado do Ministério Público do Trabalho e a orientação de um advogado, Danilo Helmeister, de que dispensar alguém pelo voto é discriminação ilegal. Segundo ele, a Constituição garante o voto secreto, e o empregador pode ser obrigado a reintegrar o trabalhador, pagar indenização e responder por crime eleitoral e contra a organização do trabalho. A denúncia pode ser feita de forma sigilosa no site do órgão. Veículos de direita não haviam publicado cobertura do caso até o momento, e por isso não há enquadramento desse campo a relatar.
Ainda não se sabe quantas das 530 denúncias se referem a demissões efetivas, nem quantas vêm de Goiás. Também não está claro se a Polícia Civil já abriu inquérito sobre a mensagem de Orizona e sobre as listas de boicote, nem se a OAB-GO tomará alguma medida interna em relação ao seu vice-presidente.
Episódios foram registrados em Goiânia, Nerópolis, Anicuns e Orizona após a divulgação do resultado do segundo turno da eleição presidencial.

Prática contra trabalhadores é ilegal e pode gerar indenização, além de investigação criminal. Saiba como denunciar.