Um navio-tanque carregado de gás natural liquefeito foi atingido por um projétil na manhã desta terça-feira enquanto navegava pelo lado de Omã do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. O impacto atingiu a embarcação a bombordo e provocou um incêndio a bordo. Segundo a Agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido, a UKMTO, a tripulação foi retirada em segurança e não houve vítimas nem impacto ambiental.
A cobertura de centro, encabeçada pela CNN Brasil com base em reportagem da Reuters, identificou a embarcação como o petroleiro catari Al Rekayyat, operado pela Nakilat, uma das maiores frotas de transporte de GNL do mundo. Quatro fontes a par do assunto relataram que a Guarda Revolucionária do Irã teria disparado mísseis contra navios que cruzavam a via durante a noite, e o site Axios noticiou, citando autoridades americanas, que ao menos dois projéteis atingiram embarcações comerciais. É a primeira vez que um navio de GNL do Catar, país que atua como mediador nas negociações entre Washington e Teerã, é atingido desde o início do conflito, no fim de fevereiro.
Todos os lados da cobertura convergem nos fatos centrais: o navio foi atingido, pegou fogo e a tripulação está a salvo. A televisão estatal iraniana, citada tanto pela cobertura de centro quanto por veículos de direita, afirmou que a embarcação foi atacada após ignorar avisos, já que Teerã havia determinado que todos os navios-tanque usassem rotas aprovadas pelo país e ameaçado reagir de forma rápida e decisiva a qualquer interferência das forças dos Estados Unidos.
É na leitura política que as ênfases divergem. Veículos de direita, como a Jovem Pan, destacaram a agressividade do regime iraniano e a ameaça à liberdade de navegação numa via por onde passava cerca de um quinto do petróleo mundial antes do conflito, sublinhando o desafio aberto da Guarda Revolucionária às forças americanas e a firmeza do presidente Donald Trump, que voltou a ameaçar 'terminar o trabalho' caso não haja acordo. Já a leitura de esquerda, que emerge da mesma reportagem factual de centro, enfatizaria os custos humanos e econômicos de uma escalada alimentada pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, na qual civis a bordo de navios comerciais e a estabilidade das rotas de energia pagam o preço de uma diplomacia fracassada.
O episódio ocorre em meio à afirmação de controle iraniano sobre o estreito que o separa de Omã, apontada como uma das consequências mais controversas da guerra. As negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã terminaram na semana passada sem sinal público de progresso, apesar de um cessar-fogo de 60 dias. Teerã demonstra desafio após o funeral do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques iniciais.
O que ainda não se sabe: o Irã não confirmou oficialmente a autoria dos disparos além dos alertas prévios sobre as rotas, e Nakilat, QatarEnergy, o governo do Catar e o Comando Central dos EUA não responderam de imediato aos pedidos de comentário. Também permanece incerto o rumo das negociações entre Washington e Teerã e se novos ataques poderão comprometer de vez a navegação na região.