Três navios comerciais foram atingidos por projéteis nas águas do Estreito de Ormuz nesta terça-feira, 7 de julho de 2026, mesmo depois de Irã e Estados Unidos terem assinado um memorando de entendimento para reabrir a rota. A passagem é uma das mais estratégicas do planeta: por ela escoam cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo. A agência britânica de segurança marítima UKMTO confirmou que ao menos um petroleiro foi atingido por um projétil de origem desconhecida na véspera, próximo à costa de Omã, provocando um incêndio sem vítimas relatadas.
Segundo a UKMTO, dois petroleiros foram atingidos na região e um terceiro navio sofreu danos estruturais menores após ser impactado por um veículo aéreo não tripulado. O Catar, um dos mediadores do conflito no Oriente Médio, denunciou que seu navio Al Rekayyat foi atacado e responsabilizou o Irã de forma explícita. O ministro das Relações Exteriores catariano, Majed Al Ansari, afirmou considerar Teerã plenamente responsável, do ponto de vista legal, pelo episódio e por qualquer dano decorrente.
A cobertura disponível veio de veículos brasileiros de direita, e é importante registrar essa limitação de espectro. Os veículos de direita enfatizaram o descumprimento do acordo pelo Irã e descreveram a Guarda Revolucionária como o braço ideológico do regime dos aiatolás, que estaria usando a rota marítima como moeda de chantagem para fortalecer sua posição nas negociações. A cobertura de centro, mais factual, relatou os mesmos incidentes atribuindo cada informação a fontes nomeadas, como o Wall Street Journal, o portal Axios e a agência estatal iraniana Fars, e destacou a resposta americana: os Estados Unidos revogaram a licença que, desde junho, suspendia temporariamente as sanções ao petróleo iraniano até 21 de agosto. Uma leitura de esquerda, ainda que ausente entre as fontes deste conjunto, tenderia a sublinhar que a diplomacia conduzida sob ameaça militar e o retorno imediato das sanções aprofundam o ciclo de retaliação e recaem sobre a população civil.
O pano de fundo é tenso. Os ataques ocorreram enquanto o Irã realizava os ritos fúnebres de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, morto em bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel no início do conflito que incendiou o Oriente Médio por quatro meses. Teerã havia suspendido as negociações com Washington durante os funerais. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, advertiu que as tratativas não recomeçariam se as ameaças americanas continuassem, depois de o presidente Donald Trump dizer que os EUA chegariam a um pacto definitivo ou 'terminariam o serviço' pela via militar. Os ataques aconteceram horas antes de Trump chegar a uma cúpula da Otan em Ancara, na Turquia, onde a navegação pelo estreito seria uma das principais pautas.
Ainda não se sabe, com confirmação oficial, quem disparou os projéteis: nenhuma autoridade confirmou ou negou os relatos, e a própria agência iraniana Fars sustentou que o petroleiro catariano foi atacado após ignorar avisos. Também permanece incerto se as negociações entre Teerã e Washington serão retomadas, e se o tráfego pelo estreito voltará ao patamar anterior à guerra, quando mais de 120 embarcações cruzavam a rota diariamente, contra as 108 registradas entre os dias 3 e 5 de julho.