O governo de Israel iniciou escavacoes para construir um fosso de aproximadamente 170 metros, povoado por crocodilos-do-Nilo, ao redor da prisao de seguranca maxima de Ketziot, no sul do pais. A estrutura, orcada em cerca de US$ 6,3 milhoes, foi inspirada na unidade de detencao americana conhecida como Alligator Alcatraz e e defendida pelo ministro da Seguranca Nacional, Itamar Ben-Gvir. Segundo o relato, as escavacoes ja comecaram e a prisao abriga um numero nao divulgado de palestinos acusados de integrar a forca Nukhba, ligada ao Hamas, no contexto do ataque de 7 de outubro de 2023 que atingiu, entre outros alvos, o festival de musica Nova.
A cobertura de centro relatou de forma factual os dois lados do episodio. Para viabilizar o projeto, o governo israelense reclassificou o crocodilo-do-Nilo como animal silvestre sob manejo, o que permite manter a especie nas instalacoes prisionais. A ministra da Protecao Ambiental, Idit Silman, afirmou que a iniciativa responde a superlotacao do sistema prisional e a escassez de agentes penitenciarios, sustentando que os animais teriam efeito dissuasorio contra tentativas de fuga. Em suas palavras, o pais estaria falando uma lingua que seus inimigos entendem. Ben-Gvir comemorou o avanco em uma publicacao nas redes sociais com uma imagem gerada por inteligencia artificial e uma legenda que desafiava eventuais fugitivos.
Ha pontos em que os relatos convergem: a existencia da obra, o custo estimado, a inspiracao no modelo americano e a oposicao de orgaos tecnicos. A Autoridade de Natureza e Parques de Israel, junto a grupos ambientais, manifestou-se contra a reclassificacao dos crocodilos, argumentando nao haver base tecnica suficiente para manter os animais em uma instalacao de seguranca.
As enfases, porem, se separam. Veiculos de direita e o enquadramento de ordem e seguranca destacam a medida como resposta pragmatica a superlotacao e as fugas, tratando os detidos como acusados de terrorismo ligados ao ataque de 2023. Ja veiculos de esquerda e as entidades de direitos humanos, como a CAGE International, enfatizam o carater cruel e desumanizante da proposta: seu diretor, Moazzam Begg, classificou como satirico tentar racionalizar o uso de crocodilos como aparato de seguranca legitimo no seculo 21 e afirmou que a medida amplia o mau tratamento de palestinos presos.
O que ainda nao se sabe: o numero exato de detidos em Ketziot nao foi divulgado, nem ha cronograma claro para a conclusao das obras. Tambem nao ha, nos relatos, resposta formal do lado palestino nem definicao sobre como os orgaos ambientais que se opoem ao projeto poderao, na pratica, barrar ou nao a reclassificacao dos animais.