O senador Jaques Wagner (PT-BA), até então líder do governo no Senado, procurou o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator da investigação sobre o Banco Master, cerca de uma semana antes de ser alvo de uma operação da Polícia Federal. Segundo a cobertura, o objetivo era apresentar explicações sobre sua relação com o empresário Augusto Lima e com o banqueiro Daniel Vorcaro. A iniciativa chamou atenção porque o pedido de busca e apreensão contra o parlamentar já tramitava no Supremo quando o encontro foi solicitado.
A operação foi cumprida em 18 de junho na residência do senador, em Salvador, e no hotel onde ele mora em Brasília. Foram apreendidos US$ 55 mil e € 33 mil, além de documentos e do celular do parlamentar. Na semana seguinte, Wagner deixou a liderança do governo no Senado, em decisão tomada após conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há convergência entre os veículos sobre esses fatos centrais: a tentativa de reunião com o relator, a apreensão do dinheiro e a saída da liderança.
Veículos de direita enfatizaram os elementos que apontam para suspeita. Destacaram que a Polícia Federal não localizou os envelopes do Senado que, segundo o senador, guardariam as diárias, e que a quantia apreendida supera o total recebido em diárias desde 2019. Ressaltaram ainda que Wagner admitiu ter recebido de Augusto Lima um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões e ingressos para shows da cantora Taylor Swift, e que, segundo a decisão de Mendonça, Lima teria atuado como canal de interlocução entre Vorcaro e o senador em temas estratégicos para o Master, como a CPI do banco e a tentativa de venda da instituição.
A cobertura de centro privilegiou o registro factual e os dados. Uma pesquisa Nexus/BTG, contratada pelo BTG Pactual e registrada no Tribunal Superior Eleitoral, ouviu 2.009 pessoas entre 26 e 28 de junho e apontou que 75% dos brasileiros tomaram conhecimento da operação contra o senador, com margem de erro de dois pontos. O mesmo levantamento mediu o conhecimento público sobre conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, tema conhecido por 82% dos entrevistados. A cobertura central também relatou, sem juízo de valor, a agenda do presidente Lula na Bahia ao lado de Wagner.
Veículos de esquerda e aliados do senador, citados na cobertura, enfatizaram a defesa: Wagner nega irregularidades, afirma que o dinheiro corresponde a diárias legais, declaradas e não utilizadas, e classificou a operação como uma 'patacoada', criticando a 'espetacularização' da divulgação de fotos do dinheiro apreendido. Nessa leitura, a saída da liderança foi voluntária e acertada com Lula para permitir foco na defesa, e a manutenção da agenda presidencial ao lado do senador na Bahia foi apresentada como demonstração de confiança em um aliado de quase cinco décadas, contra a lógica de condenação antecipada.
O que ainda não se sabe é o desfecho da investigação. Não há conclusão judicial sobre a existência de crime, nem esclarecimento definitivo sobre a origem do dinheiro apreendido ou sobre o teor exato da conversa reservada entre Wagner e o diretor-geral da PF, registrada em vídeo dias antes da operação. O motivo concreto do pedido de audiência com o relator também permanece sem explicação pública do senador, que preferiu não comentar.