O PSD oficializou em 1º de julho de 2026, em Brasília, uma chapa puro-sangue à Presidência da República: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como candidato, e o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como vice. A decisão encerra semanas de negociação e transforma a candidatura num projeto do partido, não apenas numa aventura pessoal do ex-governador, que chegou à legenda há menos de seis meses. Um dia depois, em entrevista à BandNews TV, Kassab admitiu que a primeira opção do PSD era o governador Tarcísio de Freitas, que preferiu disputar a reeleição em São Paulo; só após a recusa dele e a saída de outros nomes, como Ratinho Jr. e Eduardo Leite, a cúpula se decidiu por Caiado.
A cobertura de centro, predominante neste caso, relatou os fatos com detalhamento. Sem coligações, o PSD fica limitado a cerca de 55 segundos de propaganda na televisão e reservará ao menos R$ 30 milhões dos R$ 421 milhões do fundo eleitoral à campanha presidencial. Na pesquisa Datafolha de 20 de junho, Lula aparecia com 41% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro com 31% e Caiado com cerca de 3%. A meta interna do partido é modesta e pragmática: levar o candidato a pelo menos 5% até o fim do primeiro turno. O partido elegeu cerca de 900 prefeitos e governa seis estados, e usa a candidatura como um guarda-chuva nacional para proteger seus palanques regionais.
As divergências aparecem no enquadramento. Veículos de direita, de perfil mais ligado ao mercado, destacaram o discurso de governabilidade e a agenda econômica liberal de Caiado, que se apresenta como gestor com resultados em segurança pública em Goiás e sustenta que seria o único capaz de reunir os eleitores independentes para derrotar Lula em um eventual segundo turno. Nessa leitura, a chapa pura preserva a autonomia do partido e evita que ele entre como coadjuvante na fila do Planalto. Já veículos de esquerda enfatizaram o oposto: a chapa exporia a fragilidade de uma candidatura que não une o próprio PSD nem atrai o Centrão, com Caiado estacionado longe dos dois dígitos. Nessa análise, o movimento seria menos projeto de poder e mais jogada de barganha, em que Kassab busca musculatura no Congresso para negociar cargos com quem chegar ao segundo turno, além de exercer pressão informal sobre dirigentes estaduais para aderirem ao candidato.
Há pontos em que todas as coberturas convergem. A chapa é reconhecidamente puro-sangue, sem alianças fechadas até o momento; União Brasil, PP, Republicanos e MDB não embarcaram, e conversas com o Novo, de Romeu Zema, não avançaram. Caiado tem evitado o confronto direto com Flávio Bolsonaro, cuja pré-campanha atravessa desgaste. Kassab, por sua vez, manteve o apoio a Tarcísio na disputa de São Paulo e projeta a dobradinha 'Caiado presidente, Tarcísio governador' no estado. A convenção nacional do PSD está marcada para 26 de julho, quando a candidatura deve ser formalizada.
O que ainda não se sabe é como o PSD se comportará em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio: dirigentes tratam o apoio ao petista como hipótese remota, mas condicionam qualquer aceno ao senador do PL à oferta de ministérios e espaço no Congresso. Também permanece em aberto se a candidatura conseguirá sair da faixa dos 3% a 5% durante a temporada de debates e se algum novo fato político reabrirá o tabuleiro da direita.