O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a gravar, na quinta-feira 13 de agosto de 2026, participações nos guias eleitorais de candidatos do Partido dos Trabalhadores para as eleições deste ano. As gravações ocorrem no comitê nacional da legenda, no Lago Sul, em Brasília, de forma escalonada por estado, e continuaram no dia seguinte. As peças têm de seis a trinta segundos, conforme o cargo em disputa e o formato escolhido em cada palanque estadual.
Segundo o senador Humberto Costa, secretário de Relações Internacionais do partido, todos os candidatos a deputado federal terão uma participação de seis segundos do presidente. Para candidatos ao Senado e aos governos estaduais, o secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que a equipe tentou manter as peças em até trinta segundos, duração que permite o aproveitamento nas inserções comerciais. Na quinta-feira passaram pelo estúdio nomes como Jaques Wagner, Jerônimo Rodrigues, Rui Costa, João Campos, Fabiano Contarato, Benedita da Silva, Randolfe Rodrigues, Elmano de Freitas, Patrus Ananias, Marília Campos e Eliziane Gama. A primeira-dama, Janja da Silva, e o chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, acompanharam os trabalhos.
As duas coberturas convergem no essencial. Ambas registram que a estratégia busca aproximar os candidatos da imagem do presidente, que o Diretório Nacional prepara uma coordenação dos guias com diretrizes comuns de linguagem, identidade visual e discurso, e que a execução ficará a cargo de produtoras contratadas em cada estado. Também há acordo sobre as pautas nacionais previstas para as peças: o fim da escala 6 por 1, a manutenção do aumento real do salário mínimo e medidas para ampliar a integração entre os órgãos de segurança pública. As duas versões repetem ainda o mesmo ponto legal: a legislação eleitoral reserva esse espaço à apresentação de propostas, imagem e número dos concorrentes.
A cobertura de centro foi a mais detalhada e trouxe o calendário, a lista de candidatos presentes e a razão da antecipação das gravações. Registrou que o material poderá circular nas redes sociais e na televisão a partir de 16 de agosto, quando começa a propaganda eleitoral, e que o horário gratuito em rádio e televisão só começa em 28 de agosto. Também explicitou o cálculo político por trás da operação: o PT quer ampliar a bancada no Senado e na Câmara para facilitar a articulação de medidas de interesse do governo, como a proposta de emenda constitucional sobre segurança pública, depois de derrotas como a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Veículos de direita deram tratamento mais enxuto e fixaram o número menor, de seis segundos, no centro da narrativa, além de enquadrar a operação como reforço das pautas do próprio governo nas peças dos candidatos. Nessa cobertura ficaram de fora o teto de trinta segundos, o calendário da propaganda e a discussão sobre até onde vai o uso da figura presidencial no tempo de televisão alheio. A leitura jurídica que aparece apenas na cobertura de centro é a de que a participação do presidente é considerada possível quando vinculada à defesa de pautas do partido ou da bancada, com o limite no pedido direto de voto para determinado deputado, avaliação feita pela assessoria jurídica da própria campanha.
Veículos de esquerda não registraram o episódio até o momento. Pela lógica habitual desse campo diante dos mesmos fatos, o destaque recairia sobre o conteúdo programático das inserções, sobretudo o fim da escala 6 por 1 e o aumento real do salário mínimo, e sobre a ideia de que a coordenação nacional dá coerência de agenda à disputa em vez de fragmentá-la em campanhas personalistas.
O que ainda não se sabe é como a Justiça Eleitoral vai tratar o formato. Não há manifestação do Tribunal Superior Eleitoral nem parecer de especialista independente sobre o limite de uso do presidente nas peças de terceiros, e nenhuma das coberturas registra questionamento formal de partidos adversários até aqui. Também seguem em aberto o custo das produções, quantos candidatos ao todo receberão a inserção e se as peças gravadas para os deputados serão idênticas em todos os estados.