A Colômbia confirmou nesta terça-feira, 23 de junho de 2026, a eleição de Abelardo de la Espriella para a Presidência da República. A apuração oficial conduzida por juízes coincidiu em 99,997% com a contagem preliminar do segundo turno, segundo a Registraduría Nacional del Estado Civil, o órgão eleitoral colombiano. Com isso, o advogado e empresário de extrema direita assumirá o cargo em 7 de agosto, encerrando o ciclo do primeiro governo de esquerda do país, liderado por Gustavo Petro.
Os números são estreitos. No domingo anterior, com a quase totalidade das urnas apuradas, De la Espriella somou 12.914.381 votos, o equivalente a 49,66%, contra 12.663.687 votos, ou 48,69%, do senador Iván Cepeda. A diferença ficou abaixo de 300 mil votos, num pleito de comparecimento recorde. Cepeda era o herdeiro político de Petro e tentava dar continuidade ao projeto progressista no poder.
Veículos de direita enfatizaram a confirmação da vitória como uma derrota imposta ao que chamam de regime de esquerda. Nessa cobertura, ganham destaque a promessa do eleito de combater o narcoterrorismo e sua declaração de que a Colômbia passará a integrar o chamado Escudo de las Américas, ao lado dos Estados Unidos. Espriella se apresenta como outsider, um empresário que financiou a própria campanha e que, segundo afirma, poderá governar com independência em relação aos poderes tradicionais.
A cobertura de centro relatou os fatos com paridade entre os lados. Registrou que Cepeda não reconheceu de imediato a derrota, condicionando o gesto ao escrutínio final, e que Petro pôs em xeque a apuração, alegando irregularidades e compra de votos, como já havia feito no primeiro turno. Essa cobertura também situou a Colômbia numa tendência regional, ao lado de El Salvador, Argentina, Equador e Chile, e lembrou que manifestações ocorreram nos dois campos. Em Cali, manifestantes entraram em confronto com a polícia e queimaram bandeiras dos Estados Unidos, país que, sob Donald Trump, declarou apoio ao vencedor.
Reportagens investigativas de centro foram além do resultado e examinaram a origem da fortuna do presidente eleito. De la Espriella é descrito como um empresário conservador de linha dura, com dezenas de empresas, algumas endividadas, e um padrão de vida de luxo. Jornalistas que apuraram sua biografia, além de parlamentares democratas dos Estados Unidos e do veículo La Silla Vacía, levantaram dúvidas sobre a transparência de suas atividades e sobre ligações com clientes associados ao paramilitarismo e a casos de corrupção.
Veículos de esquerda enfatizaram o risco que a posse representa para o legado institucional do país. Nessa leitura, a vitória insere a Colômbia numa onda de ultradireita que varre a América Latina e ameaça desmontar instituições criadas pelo Acordo de Paz de 2016 com as Farc. A promessa de construir megapresídios e de eliminar órgãos herdados desse acordo é apresentada como sinal de uma guinada autoritária, e a margem mínima é lida como prova de um país dividido ao meio, com quase metade do eleitorado fiel ao projeto progressista.
O que ainda não se sabe é como o novo governo conduzirá, na prática, as promessas de mão dura e de revisão das instituições de paz, nem qual será o desfecho das investigações sobre a fortuna do presidente eleito. Também permanece em aberto a reação dos perdedores após a confirmação oficial, depois de Petro e Cepeda terem questionado a apuração, e o impacto concreto do alinhamento declarado com os Estados Unidos sobre a política externa colombiana.