O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, pediu ao Irã que pare de tratar o sul do país como moeda de troca nas negociações de Teerã com os Estados Unidos. A frase foi dita a jornalistas em 5 de junho de 2026, durante entrevista sobre um apelo da Organização das Nações Unidas por ajuda humanitária ao Líbano, e chegou dois dias depois de o Departamento de Estado norte-americano anunciar um cessar-fogo que já vinha sendo descumprido no terreno.
O anúncio do cessar-fogo saiu em 3 de junho. No dia seguinte, o líder do grupo xiita Hezbollah, Naim Qassem, classificou as negociações com Israel como vergonhosas e afirmou que a resistência armada continuará enquanto houver tropas israelenses em solo libanês. Ainda na noite de 4 de junho, bombardeios aéreos israelenses na cidade de Tiro, no sul do Líbano, mataram 7 pessoas e feriram 12, segundo a Defesa Civil libanesa. Um dos ataques atingiu as proximidades do Hospital Jabal Amel, com 4 mortes e danos à estrutura hospitalar; outro atingiu um bairro residencial e deixou 3 mortos. O Exército de Israel confirmou ofensivas contra o Hezbollah em três localidades ao norte do rio Litani e emitiu ordens de evacuação para a população local.
O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, indicou em 5 de junho que aceitaria a retirada do grupo do sul do país desde que os soldados israelenses deixassem a região simultaneamente. Em nota, Berri criticou a mediação norte-americana, classificou-a como injusta e defendeu um cessar-fogo incondicional por terra, mar e ar. O balanço do conflito, iniciado em março e apurado por autoridades locais, chega a 3.526 mortos no Líbano e mais de 1 milhão de moradores deslocados. Do lado israelense, foram registradas as mortes de 27 soldados e de 1 prestador de serviços civis.
A cobertura de centro foi a única a apurar o episódio: relatou a fala de Salam, os bombardeios em Tiro e a recusa do Hezbollah lado a lado, com números creditados às fontes oficiais e sem enquadramento valorativo. Entre os veículos de direita, o único item reunido neste conjunto é a chamada de uma enquete de programa de rádio sobre assunto distinto, sem qualquer reportagem sobre o Líbano, e por isso não sustenta leitura editorial do caso. Nenhum veículo de esquerda cobriu o episódio até o momento. Sem cobertura plural, os ângulos que costumam separar os lados permanecem em potencial: de um lado, a ênfase no custo civil, no hospital atingido e no apelo humanitário da Organização das Nações Unidas; de outro, a ênfase no fato de um grupo armado não estatal recusar um acordo aceito pelo governo eleito e na influência iraniana sobre decisões de guerra e paz do Líbano.
Ainda não se sabe se a proposta de retirada simultânea formulada por Nabih Berri será aceita por Israel ou por Washington, nem quais são os termos exatos do acordo rejeitado, que não foram divulgados. Também não há resposta pública do Irã à cobrança do primeiro-ministro libanês, nem informação sobre quando ocorreria uma nova rodada de negociação. O alcance real do cessar-fogo anunciado em 3 de junho segue indefinido enquanto os bombardeios prosseguem.