Premiê do Líbano Nawaf Salam cobra Irã após Hezbollah rejeitar cessar-fogo
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Briefing
O que importa para você
- O cessar-fogo anunciado em 3 de junho não interrompeu os ataques: 7 mortos e 12 feridos em Tiro na noite seguinte.
- O conflito acumula 3.526 mortos e mais de 1 milhão de deslocados no Líbano, segundo autoridades locais.
- A retirada do Hezbollah do sul depende, pela condição de Nabih Berri, da saída simultânea das tropas israelenses.
O que ainda está incerto
- Não há resposta pública do Irã à acusação feita pelo primeiro-ministro Nawaf Salam.
- Os termos exatos do acordo rejeitado pelo Hezbollah não foram divulgados.
- Não há data anunciada para uma nova rodada de negociação nem definição sobre a proposta de retirada simultânea.
Dois dias depois de os Estados Unidos anunciarem um cessar-fogo, o primeiro-ministro libanês Nawaf Salam cobrou publicamente o Irã por tratar o sul do país como moeda de troca nas negociações com Washington. O Hezbollah rejeitou os termos do acordo e bombardeios israelenses em Tiro mataram 7 pessoas. Veja o que a cobertura mostra e o que segue em aberto.
Fuja da Bolha ler
Premiê do Líbano Nawaf Salam cobra Irã após Hezbollah rejeitar cessar-fogo
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, pediu ao Irã que pare de tratar o sul do país como moeda de troca nas negociações de Teerã com os Estados Unidos. A frase foi dita a jornalistas em 5 de junho de 2026, durante entrevista sobre um apelo da Organização das Nações Unidas por ajuda humanitária ao Líbano, e chegou dois dias depois de o Departamento de Estado norte-americano anunciar um cessar-fogo que já vinha sendo descumprido no terreno.
O anúncio do cessar-fogo saiu em 3 de junho. No dia seguinte, o líder do grupo xiita Hezbollah, Naim Qassem, classificou as negociações com Israel como vergonhosas e afirmou que a resistência armada continuará enquanto houver tropas israelenses em solo libanês. Ainda na noite de 4 de junho, bombardeios aéreos israelenses na cidade de Tiro, no sul do Líbano, mataram 7 pessoas e feriram 12, segundo a Defesa Civil libanesa. Um dos ataques atingiu as proximidades do Hospital Jabal Amel, com 4 mortes e danos à estrutura hospitalar; outro atingiu um bairro residencial e deixou 3 mortos. O Exército de Israel confirmou ofensivas contra o Hezbollah em três localidades ao norte do rio Litani e emitiu ordens de evacuação para a população local.
O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, indicou em 5 de junho que aceitaria a retirada do grupo do sul do país desde que os soldados israelenses deixassem a região simultaneamente. Em nota, Berri criticou a mediação norte-americana, classificou-a como injusta e defendeu um cessar-fogo incondicional por terra, mar e ar. O balanço do conflito, iniciado em março e apurado por autoridades locais, chega a 3.526 mortos no Líbano e mais de 1 milhão de moradores deslocados. Do lado israelense, foram registradas as mortes de 27 soldados e de 1 prestador de serviços civis.
A cobertura de centro foi a única a apurar o episódio: relatou a fala de Salam, os bombardeios em Tiro e a recusa do Hezbollah lado a lado, com números creditados às fontes oficiais e sem enquadramento valorativo. Entre os veículos de direita, o único item reunido neste conjunto é a chamada de uma enquete de programa de rádio sobre assunto distinto, sem qualquer reportagem sobre o Líbano, e por isso não sustenta leitura editorial do caso. Nenhum veículo de esquerda cobriu o episódio até o momento. Sem cobertura plural, os ângulos que costumam separar os lados permanecem em potencial: de um lado, a ênfase no custo civil, no hospital atingido e no apelo humanitário da Organização das Nações Unidas; de outro, a ênfase no fato de um grupo armado não estatal recusar um acordo aceito pelo governo eleito e na influência iraniana sobre decisões de guerra e paz do Líbano.
Fontes
Declarações foram feitas depois de o Hezbollah rejeitar acordo de cessar-fogo negociado pelo governo libanês em Washington. Leia no Poder360.

