Líbano e Israel iniciaram nesta terça-feira, 23, uma nova rodada de negociações no Departamento de Estado dos Estados Unidos, em Washington. O objetivo declarado é encerrar o conflito que persiste mesmo sob um cessar-fogo vigente. As autoridades libanesas defendem que conversas diretas e mediadas são essenciais para a paz, mas reconhecem que a situação é complexa por causa da influência do Irã na região e de seu apoio ao grupo Hezbollah.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, tem trabalhado para separar dois processos que Teerã insiste em tratar como um só. De um lado, as conversas entre Israel e Líbano, mediadas pelos EUA. De outro, as negociações diretas entre Estados Unidos e Irã. "São questões separadas porque o Líbano é um país soberano", afirmou Rubio ao chegar aos Emirados Árabes Unidos. Ele acrescentou que existe uma questão iraniana relacionada ao Líbano, ligada ao patrocínio do Hezbollah, mas sustentou que o futuro do país pertence ao povo libanês por meio de seu governo eleito.
A cobertura de centro, da CNN Brasil, relatou de forma factual tanto a posição de Rubio quanto a insistência iraniana de que os temas estão interligados. Essa mesma cobertura registrou que, em uma rodada anterior, EUA e Irã alcançaram o que os mediadores Paquistão e Catar chamaram de atmosfera positiva e construtiva, com progressos encorajadores. As partes concordaram em criar um Comitê de Alto Nível para supervisão política da mediação e estabeleceram um roteiro com prazo de 60 dias para um acordo final. Foi acordada ainda uma célula de desconflito envolvendo o Líbano, facilitada por Catar e Paquistão, para garantir o fim das operações militares no território libanês.
Veículos de direita, como a Record News, enfatizaram o ângulo de que o acordo iraniano teria prejudicado as conversas para o fim do conflito, destacando a influência de Teerã e seu apoio ao Hezbollah como o obstáculo central. Essa leitura ressalta a firmeza americana, as sanções e a defesa da soberania do governo libanês eleito como o caminho para a estabilidade. Israel, por sua vez, afirma que suas ações dentro do Líbano durante o cessar-fogo são realizadas em legítima defesa contra o Hezbollah.
Veículos de esquerda tenderiam a enfatizar o custo humano dos ataques que continuam apesar da trégua e a fragilidade de um cessar-fogo que não resolve as causas estruturais do conflito. Sob esse prisma, a denúncia iraniana de que as ofensivas israelenses ameaçam frustrar a diplomacia ganha peso, assim como a importância de uma mediação multilateral que vá além de Washington e respeite a soberania libanesa.
O que ainda não se sabe é o teor concreto das concessões em discussão entre Israel e Líbano, se o roteiro de 60 dias entre EUA e Irã será cumprido, e se a separação proposta por Rubio entre as duas trilhas de negociação se sustentará diante da insistência iraniana de que tudo está interligado. A Casa Branca, procurada, ainda não havia se pronunciado sobre os avanços relatados pelos mediadores.