Lula ataca Romeu Zema pela dívida de Minas durante campanha em Valadares
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Em agenda oficial em Governador Valadares, no leste de Minas Gerais, na sexta-feira 21 de agosto de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, chamou o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), candidato do partido à Presidência, de “comedor de banana com casca” e o responsabilizou pelo crescimento da dívida de Minas Gerais com a União, hoje em R$ 179,3 bilhões. Lula defendeu o ex-governador Fernando Pimentel (PT), lembrou a liminar de 2018 que suspendeu o pagamento das parcelas e apresentou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, o Propag, como solução: alongamento por 30 anos, correção pela inflação e amortização de até 20% do saldo com ativos estaduais. Na mesma agenda, o presidente e o ministro dos Transportes, George Santoro, vistoriaram a duplicação da BR-116 e da ponte do São Raimundo, sobre o Rio Doce, obras de R$ 309 milhões. À noite, Lula seguiu para um comício em Belo Horizonte ao lado de Patrus Ananias (PT), candidato ao governo estadual.
A leitura à esquerda é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva devolveu ao ex-governador Romeu Zema a encenação que o próprio adversário criou para atacar o governo federal, e o fez apresentando números.
Pela leitura à direita, o episódio em Governador Valadares mostra um presidente candidato usando agenda oficial e obra pública como palanque, e recorrendo ao apelido pessoal contra um adversário que subiu nas pesquisas defendendo corte de gastos.
6 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
Em agenda oficial no leste de Minas Gerais, o presidente Lula cobrou de Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência, a dívida estadual de R$ 179,3 bilhões e defendeu o ex-governador Fernando Pimentel. Veja como a renegociação pelo Propag, as obras da BR-116 e a disputa eleitoral no segundo maior colégio eleitoral do país foram contadas por cada lado da cobertura.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, usou uma agenda oficial em Governador Valadares, no leste de Minas Gerais, na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, para atacar o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), hoje candidato do partido à Presidência da República. Ao falar da dívida do estado com a União, Lula chamou o adversário de “comedor de banana com casca”, em referência a um vídeo em que Zema aparece comendo a fruta com casca para criticar o preço dos alimentos, e repetiu que a eleição deste ano será a da “verdade contra a mentira”.
A acusação central do presidente é que o adversário passou oito anos sem pagar a dívida estadual, que chegou a R$ 179,3 bilhões, e construiu carreira política atacando o antecessor. Lula saiu em defesa de Fernando Pimentel (PT), governador entre 2015 e 2018, afirmando que ele pagou as parcelas com a União mesmo sem conseguir honrar salários de servidores e pagamentos a fornecedores, e que o governo federal da época não se dispôs a renegociar. No fim de 2018, ainda na gestão de Pimentel, o estado obteve no Supremo Tribunal Federal uma liminar que suspendeu a cobrança das parcelas.
Os relatos convergem no essencial. A dívida foi renegociada pelo Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, o Propag, com alongamento do saldo por 30 anos, correção reduzida e possibilidade de amortizar até 20% do débito com a entrega de ativos estaduais. O acordo obriga Minas Gerais a fazer aportes anuais equivalentes a 1% do saldo devedor em um fundo federativo e a investir outro 1% em áreas como educação, saneamento, habitação, transportes e segurança. Na mesma agenda, Lula e o ministro dos Transportes, George Santoro, vistoriaram a duplicação da BR-116 e a construção da nova ponte do São Raimundo, sobre o Rio Doce, obras de R$ 309 milhões com cerca de 70% de execução e entrega prevista para o fim do ano. À noite, o presidente seguiu para um comício em Belo Horizonte ao lado de Patrus Ananias (PT), candidato ao governo estadual.
As divergências aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram que o apelido devolve ao adversário uma encenação criada por ele próprio nas redes sociais e apresentaram a renegociação como socorro do Estado a um governo estadual que preferiu a demagogia ao pagamento, ligando as obras federais ao contraste com o discurso da direita. A cobertura de centro relatou o episódio com as aspas na íntegra e reconstruiu a cronologia da dívida, que remonta à década de 1990, detalhando prazos, taxas, contrapartidas e o quadro eleitoral mineiro, incluindo a agenda do principal adversário do presidente no estado. Veículos de direita enfatizaram o caráter de ataque do discurso, mantiveram distanciamento das afirmações presidenciais com marcadores de atribuição e deixaram de fora a contabilidade dos ganhos alegados com o acordo, concentrando o relato na disputa eleitoral e no fato de a liminar que suspendeu os pagamentos ter sido obtida na gestão anterior, do PT.
O que ainda não se sabe é quanto o acordo de fato economiza. As versões do discurso presidencial registradas na cobertura apresentam números diferentes: economia de cerca de R$ 6 bilhões por ano em uma delas, e R$ 34 bilhões no total em outra. Também há divergência sobre o custo financeiro do refinanciamento, descrito ora como juro real zero com correção pela inflação, ora como juros de zero a 2% ao ano. Nenhuma das coberturas trouxe resposta de Romeu Zema às acusações, nem quantificou o que o estado efetivamente pagou à União no período citado. Falta ainda o detalhamento de quais ativos estaduais serão entregues para amortizar os 20% do saldo e em que prazo o fundo federativo receberá os aportes anuais previstos no contrato.
Presidente criticou o ex-governador mineiro ao defender Fernando Pimentel e afirmou que sua gestão decidiu ajudar o estado a renegociar a dívida com a União.

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