Trégua entre Lula e Davi Alcolumbre destrava pauta do fim da escala 6x1
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Resumo da cobertura
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A reaproximação entre Luiz Inácio Lula da Silva e Davi Alcolumbre coloca na mesa duas pautas de impacto direto sobre a vida de quem trabalha: o fim da escala 6x1, que promete mais descanso sem redução de salário, e a taxação de compras internacionais, que recompõe receita pública. No mesmo movimento, porém, o governo celebra a descoberta de petróleo na foz do Amazonas, uma fronteira que ambientalistas apontam como risco para a Amazônia e para as metas climáticas do país, num ano em que a agenda ambiental disputa espaço com a eleição.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apareceram juntos em público pela primeira vez em meses na visita a um navio-sonda da Petrobras no litoral do Amapá, dias depois de a estatal anunciar indícios de petróleo e gás no poço Morpho, na Margem Equatorial.
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Todos os lados registram que Lula e Davi Alcolumbre reataram após meses de afastamento, que o reencontro público ocorreu no navio-sonda da Petrobras no Amapá e que, na sequência, o Senado passou a movimentar a taxação de compras internacionais e o fim da escala 6x1. Há acordo também de que a descoberta no poço Morpho ainda não tem volume medido nem viabilidade comercial confirmada.
Lula e Davi Alcolumbre apareceram juntos em público pela primeira vez em meses na visita a um navio-sonda da Petrobras no litoral do Amapá, dias depois do anúncio de indícios de petróleo na Margem Equatorial. Em seguida, o presidente do Senado passou a movimentar duas pautas caras ao governo: a taxação de compras internacionais e o fim da escala 6x1. A leitura do que isso significa muda conforme o lado da cobertura.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apareceram juntos em público pela primeira vez em meses no dia 17 de agosto, em visita a um navio-sonda da Petrobras no litoral do Amapá. A agenda foi marcada depois que a estatal anunciou, na sexta-feira anterior, indícios de petróleo e gás no poço Morpho, perfurado a cerca de 175 quilômetros da costa, na Bacia da Foz do Amazonas. No dia seguinte à visita, Davi Alcolumbre colocou para tramitar no Senado duas matérias que o Palácio do Planalto considera prioritárias: a taxação de compras internacionais, conhecida como taxa das blusinhas, e a proposta de fim da escala 6x1.
Os três blocos de cobertura convergem nos fatos duros. A ruptura entre os dois começou com a derrota, no Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, e a costura para reatar passou por três encontros recentes, um deles na casa do ministro Alexandre de Moraes e os demais no Palácio da Alvorada. Também não há disputa sobre o estágio da descoberta: a perfuração segue em andamento, e ainda é preciso medir o volume existente e saber se a exploração é viável em escala comercial. A Petrobras pretende perfurar outros três poços na região e depende de novas autorizações. A licença inicial saiu do Ibama em outubro do ano passado, depois de mais de uma década de espera e da exigência de medidas de proteção ambiental e de resposta a acidentes.
A cobertura de centro tratou o episódio como agenda de governo, registrando a fala de Davi Alcolumbre sobre anos de defesa da pesquisa na Margem Equatorial e a avaliação da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, de que a descoberta reforça a aposta da companhia na recomposição de reservas diante de uma eventual queda da produção do pré-sal. Veículos de esquerda deslocaram o foco para o custo ambiental e climático de abrir uma fronteira fóssil na foz do Amazonas e para o efeito da articulação política sobre a corrida eleitoral, tratando a comemoração no navio-sonda como escolha de prioridade. Veículos de direita enfatizaram o cálculo eleitoral por trás da pauta legislativa, descrevendo taxa das blusinhas e fim da escala 6x1 como um pacote montado para a reeleição, com custo fiscal e efeito sobre as relações de trabalho, e sustentando que fixar na Constituição qual escala corresponde a cada carga horária engessa a economia. Nessa leitura, a convergência entre a Presidência, o comando do Congresso e parte do Supremo Tribunal Federal se explica menos por programa e mais por interesses comuns de quem enfrenta desgaste e investigações.
A divergência central, portanto, não está no que aconteceu, e sim no que o movimento significa. Para um lado, destravar o fim da escala 6x1 é responder a uma demanda antiga de trabalhadores submetidos a seis dias de jornada por um de folga, e taxar compras internacionais é recompor receita pública. Para o outro, é entrega eleitoral com conta a pagar depois, tanto no caixa quanto no mercado de trabalho. Sobre o petróleo, a distância é igualmente nítida: geração de emprego e renda no Amapá e segurança energética de um lado, risco socioambiental na Amazônia de outro.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há cronograma definido para a votação das duas propostas no Senado, e o próprio presidente da Casa sinalizou rito sem pressa para a escala 6x1. Também não estão públicos o texto final que será apreciado nem o eventual impacto fiscal calculado pelo governo. No campo da exploração, faltam o volume recuperável do poço Morpho, a confirmação de viabilidade comercial e a decisão do Ibama sobre os próximos três poços. E nenhuma das coberturas apresenta compromisso formal que sustente a trégua entre o Executivo e o comando do Senado além das pautas em jogo.
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