O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu novas trocas no governo federal para reforçar a equipe que estará à frente de sua campanha à reeleição em 2026. As mudanças mais recentes miram especialistas em comunicação da gestão federal. Nesta segunda-feira, 6 de julho, o governo publicou a exoneração de Ricardo Stuckert, fotógrafo do presidente há mais de duas décadas, que ocupava o cargo de secretário de Produção e Divulgação de Conteúdo Audiovisual na Secretaria de Comunicação Social, a Secom.
Stuckert passará a dividir a coordenação de redes sociais da campanha com Nicole Briones, que chefia a área digital do PT. Também ficou decidido que três profissionais da Secom, identificados como Raquel Sepúlveda, Gustavo Couto e Gilberto Santos, deixarão seus cargos nos próximos dias para se dedicar ao atendimento à imprensa durante a campanha.
As trocas são oficializadas logo após o início do chamado defeso eleitoral, que passou a valer no fim de semana e estabelece uma série de restrições legais aos agentes públicos, limitando o uso da máquina administrativa e de recursos do governo em favor de candidatos. Com a medida, a publicidade de ações do governo e as cerimônias de anúncios ficam suspensas até 25 de outubro. Até então, o governo federal vivia uma maratona de entregas, e o presidente deve agora diminuir a frequência de seus compromissos públicos.
Há convergência entre os veículos sobre os fatos centrais. A cobertura de centro, representada pela CNN Brasil, relatou as mudanças em tom estritamente informativo, detalhando o calendário eleitoral: o PT decidiu oficializar a candidatura de Lula à reeleição em 2 de agosto, na capital paulista, escolhida por ser o maior colégio eleitoral do país e berço político do petista. A campanha começa de fato em 16 de agosto, quando a Justiça Eleitoral passa a permitir pedidos de voto, distribuição de material gráfico, comícios, carreatas e impulsionamentos pagos na internet.
Os veículos de direita, como a Revista Oeste, relataram os mesmos fatos, mas com enquadramento mais crítico. Essa cobertura enfatizou que os quadros transferidos vêm da estrutura de comunicação estatal e destacou o papel do marqueteiro Sidônio Palmeira, que comanda a Secom, na articulação das mudanças. O texto ancorou a matéria em links laterais desfavoráveis ao governo, sinalizando leitura de que o Planalto mobiliza o aparato público de comunicação em favor do projeto de reeleição.
Não houve, até o momento, cobertura de veículos de esquerda no conjunto analisado. Uma leitura provável desse lado, a partir dos mesmos fatos, enfatizaria que as exonerações acompanham justamente o início do defeso eleitoral, ou seja, os profissionais deixam cargos públicos para atuar na campanha fora da estrutura estatal, em cumprimento às regras que separam Estado e disputa eleitoral.
O que ainda não se sabe é o desenho completo da nova equipe de comunicação da campanha, os nomes que substituirão os exonerados na Secom e de que forma a saída simultânea de vários quadros afetará o funcionamento da comunicação oficial do governo durante o período de restrições. Também não há detalhamento sobre eventual questionamento formal à Justiça Eleitoral quanto à realocação dos servidores.