O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta terça-feira, 30 de junho, o Plano Safra 2026/2027, o programa anual que oferece crédito rural com juros mais baixos que os do mercado. O pacote foi dividido em duas etapas anunciadas separadamente no Palácio do Planalto. Para a chamada agricultura empresarial, voltada a médios e grandes produtores, foram destinados R$ 525,1 bilhões. Para a agricultura familiar, o total chega a R$ 97,3 bilhões, dos quais R$ 85,2 bilhões no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf, com juros que variam de 0,5% a 7,5% ao ano. Somadas, as duas modalidades ficam em torno de R$ 620 bilhões, um recorde nominal.
A cobertura de centro relatou os números com detalhe e comparações. A alta de R$ 9 bilhões na etapa empresarial, de 1,7% sobre o ciclo anterior, ficou abaixo da inflação do período, segundo a calculadora do Banco Central. O governo destacou a redução de juros mesmo com a taxa Selic elevada: as principais linhas passaram de patamares próximos de 14% para cerca de 12% ao ano, e outras caíram de 10% para 9%. Para compensar o custo, o Tesouro ampliou a subvenção aos juros. Lula participou apenas da cerimônia da agricultura familiar, por estar de manhã na Cúpula do Mercosul, no Paraguai; o vice Geraldo Alckmin comandou a etapa empresarial como presidente em exercício.
Veículos de esquerda destacaram o discurso presidencial e o enquadramento da soberania alimentar. Segundo essa cobertura, este é o maior Plano Safra já feito para o setor familiar, com foco no aumento da produção de alimentos, na modernização do campo e no apoio às mulheres e a comunidades tradicionais. Lula defendeu que os agricultores usem integralmente o crédito, argumentando que a execução plena permite ampliar o orçamento em ciclos futuros. Cobrou ainda fiscalização social contra obstáculos dos bancos e associou o dinheiro do pequeno produtor à circulação de renda nas comunidades, ao comércio local e à geração de empregos.
Veículos de direita e a cobertura econômica enfatizaram a frustração do agronegócio. O montante para a agricultura empresarial ficou muito abaixo dos R$ 652 bilhões recomendados pelos próprios ministérios e da demanda do setor produtivo. A Frente Parlamentar da Agropecuária criticou a redução de 7,2% no crédito de custeio e comercialização, de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, e classificou o esforço de reduzir juros como insuficiente diante do endividamento do setor. Demandas como o seguro rural e a renegociação de dívidas, em discussão no Congresso, ficaram de fora do pacote.
Há também a leitura política do momento. A cobertura de centro e de direita observou que o presidente tinha prazo até o sábado seguinte, 4 de julho, para anunciar ações de governo, por conta das restrições do Tribunal Superior Eleitoral à publicidade de programas com participação de pré-candidatos a três meses do primeiro turno. Os produtores rurais são um dos segmentos com maior resistência ao governo petista, o que confere peso adicional ao anúncio às vésperas da eleição.
O que ainda não se sabe é o ritmo efetivo de execução do crédito, se as linhas chegarão sem entraves bancários aos produtores na ponta, e qual será o desfecho, no Congresso, das pautas de seguro rural e renegociação de dívidas que ficaram fora do Plano Safra.