A exatos três meses das eleições gerais de 2026, a disputa digital entre os presidenciáveis desenha movimentos distintos nas redes sociais. Uma análise da consultoria Bites, feita a pedido da CNN, mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, mantém a maior base de seguidores, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, do PL, lidera a capacidade de mobilização do público nas plataformas. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.
Segundo os dados, Lula fechou o mês de junho com 38,9 milhões de seguidores somando Instagram, TikTok, Facebook, X e YouTube, consolidando-se como a maior audiência digital entre os pré-candidatos. Flávio aparece em seguida, com 21 milhões, mas foi quem mais ganhou seguidores em números absolutos no primeiro semestre, cerca de 5,6 milhões, uma alta de 36%. Lula, no mesmo período, somou 1,8 milhão de novos seguidores, crescimento de 5%. A cobertura de centro relatou esses números de forma equilibrada, destacando que a vantagem de Flávio aparece em outro indicador: a tração, que mede a repercussão gerada nas redes. Nesse quesito, o senador liderou 21 das 26 semanas analisadas entre janeiro e junho, superado apenas cinco vezes, três por Romeu Zema, do Novo, e duas pelo próprio Lula.
Outros pré-candidatos também aparecem no levantamento. Romeu Zema teve alta de 63,3% e chegou a 6,2 milhões de seguidores, impulsionado pela série de publicações 'Os Intocáveis', com críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal. Ronaldo Caiado, do PSD, cresceu 20,1%, e Renan Santos, da Missão, registrou o maior avanço proporcional, 430,7%, ainda que partindo de uma base muito menor. Há convergência entre todos os lados quanto a uma ressalva central: o número de seguidores, por si só, não representa intenção de voto nem permite prever o resultado das urnas. O advogado eleitoral Newton Lins afirmou que seguidores e engajamento mostram capacidade de comunicação e mobilização, mas são apenas um dos indicadores da disputa.
É na leitura política dos dados que a cobertura se divide. Veículos de direita enfatizaram a maior mobilização de Flávio nas redes e associaram a rejeição de Lula a um teto eleitoral. Ao noticiar a pesquisa AtlasIntel, destacaram que o presidente não ultrapassa a marca de 50% em nenhuma simulação de segundo turno, travado pela desaprovação de cerca de metade do eleitorado, e ressaltaram o peso do chamado voto negativo: 48,4% dos entrevistados temem uma eventual vitória de Flávio, mas 42,4% também receiam a reeleição de Lula, o que, nessa leitura, mantém a disputa em aberto. Analistas ouvidos por esses veículos falaram em resistência ao atual mandato como fator que limita o presidente.
Já veículos de esquerda destacaram que os mesmos levantamentos reforçam Lula como favorito consolidado: a mesma pesquisa AtlasIntel aponta o presidente com 46,3% no primeiro turno contra 36,6% de Flávio, e 48,8% a 42,3% em eventual segundo turno, com a vantagem ampliada em relação ao levantamento anterior. Nessa leitura, a maior tração de Flávio reflete engajamento militante de oposição que não se converte em votos, e sua candidatura depende de herdar o capital político de Jair Bolsonaro, hoje inelegível e preso.
O que ainda não se sabe é como esse quadro digital se traduzirá nas urnas. Todas as fontes reconhecem que as bases digitais são afetadas por tempo de plataforma, impulsionamento pago e até contas inativas ou robôs, e que a campanha oficial, os palanques regionais e o horário eleitoral ainda podem redesenhar a disputa nos meses que antecedem outubro.