Uma sequência de eventos ao longo de 2026 aprofundou o embate político entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como o principal pré-candidato da oposição à Presidência em 2026. Em pesquisa Datafolha divulgada em março, Lula aparecia com 46% das intenções de voto em simulação de segundo turno, contra 43% de Flávio, um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O resultado já indicava a aproximação do senador, que registrava apenas 36% em dezembro do ano anterior, ante 51% do petista. Em julho, durante cerimônia no Palácio do Planalto para anunciar investimentos de mais de R$ 670 milhões em educação, saúde e habitação, Lula criticou indiretamente o programa Casa Verde e Amarela, criado no governo Jair Bolsonaro, por não ter entregue as moradias prometidas, e endereçou um recado a Flávio: "eu quero saber o que você fez", declarou o presidente, ao afirmar que a disputa de 2026 será decidida pelo histórico de resultados, não pelos discursos de campanha. Dias depois, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal ouça Flávio Bolsonaro em até dez dias, no âmbito de um inquérito sobre suposta calúnia contra Lula. A investigação gira em torno de uma publicação feita pelo senador na rede X em janeiro, na qual ele atribuiu ao presidente crimes como tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, palavras que, segundo a Polícia Federal, não encontram respaldo factual. A ordem chegou no mesmo dia em que Flávio participou, em Washington, de uma audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos sobre a tarifa adicional de 25% que o governo americano avaliava aplicar a produtos brasileiros, decisão esperada até 15 de julho. Veículos de esquerda, como a Revista Fórum, destacaram o volume de entregas do governo Lula em áreas sociais e enquadraram o recado a Flávio como cobrança legítima de resultados diante de promessas não cumpridas do governo anterior. A cobertura de centro, feita pela CNN Brasil e pelo Blog do Esmael, relatou os números da pesquisa Datafolha e os detalhes processuais do inquérito sem atribuir motivação política a nenhuma das partes, reiterando que a convocação de Flávio não implica condenação nem denúncia formal. Veículos de direita, embora sem cobertura própria neste conjunto de reportagens, tenderiam a enquadrar a ordem de Moraes como mais um episódio de judicialização da disputa eleitoral contra o principal nome da oposição, e a defender a atuação de Flávio nos Estados Unidos como esforço legítimo para proteger setores exportadores brasileiros da tarifa americana. Ainda não se sabe se a Procuradoria-Geral da República vai oferecer denúncia contra Flávio Bolsonaro após o depoimento, se ele poderá se retratar publicamente para evitar a pena por calúnia, ou qual será a decisão final do governo americano sobre a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.