O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu formalmente a campanha eleitoral de 2026 no Ceará na noite de sexta-feira, 31 de julho, durante a convenção do PT que oficializou a candidatura do governador Elmano de Freitas à reeleição. No Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, Lula declarou que 'enquanto eu viver, a extrema-direita não voltará a governar este país' e desafiou dois adversários estrangeiros a interferirem na disputa brasileira: 'Se quiser vir o Trump, que venha. Se quiser vir o Milei, que venha. Venha quem quiser. Eu não quero ajuda de fora. A única ajuda que eu quero é a ajuda do povo brasileiro.'
A escolha do Ceará carrega peso político. O estado foi o palco em que a disputa interna do clã Bolsonaro ganhou contornos públicos, com a rivalidade entre Flávio e Michelle Bolsonaro tendo como estopim o apoio de Flávio a Ciro Gomes, adversário do campo lulista no estado. No palanque ao lado de Lula estava Cid Gomes, irmão de Ciro e candidato à reeleição ao Senado pela chapa governista — sinal de que a aliança progressista absorveu parte do campo que antes orbitava a família Gomes, isolando Ciro na oposição.
Até o momento, apenas um veículo cobriu o ato, e o fez a partir de uma perspectiva alinhada ao campo governista: a cobertura enfatiza a defesa da democracia e da soberania nacional, trata a oposição pelo rótulo de 'extrema-direita' e apresenta a incorporação de Cid Gomes como demonstração de força da frente progressista. Os fatos centrais, porém, são verificáveis e datados. Lula formalizou o apoio a Elmano, à vice Gabriella Aguiar e a Cid Gomes ao Senado, e criticou a Casa Alta ao dizer que 'o Senado tem metade apodrecida'.
Os recados a Trump e Milei têm contexto recente. Javier Milei esteve em São Paulo no domingo anterior, 26 de julho, para participar da convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência, ocasião em que chamou Lula de 'ladrão' e atacou o ministro Alexandre de Moraes. O governo brasileiro respondeu convocando o embaixador argentino e chamando de volta o embaixador do Brasil em Buenos Aires. Com Donald Trump, o impasse é comercial: os Estados Unidos impuseram tarifas sobre produtos brasileiros no ano anterior e, em 29 de julho, prorrogaram sanções, o que levou o governo Lula a repudiar a medida e a acionar a Organização Mundial do Comércio.
Há ângulos que uma cobertura de campo distinto provavelmente destacaria de forma diferente. Uma leitura mais à direita tenderia a questionar o rótulo de 'extrania-direita' aplicado a adversários e a ataque ao Senado, e a atribuir parte do atrito diplomático à própria postura do governo. Como a story tem fonte única, esses contrapontos não aparecem no material disponível.
O que ainda não se sabe: a segunda vaga ao Senado pela chapa cearense segue em aberto, com nomes como Luizianne Lins, Chagas Vieira, Moses Rodrigues e Eunício Oliveira cotados. Os partidos têm até 15 de agosto para registrar candidatos no TSE, e a definição interna deve ocorrer até 5 de agosto. Também permanece indefinido como a estratégia de vincular a oposição a Trump e Milei repercutirá no restante da campanha nacional.