O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o governo do presidente Lula vai insistir na votação do fim da escala de trabalho 6x1 antes das eleições de 2026. A declaração, dada em entrevista na noite da última quinta-feira, contraria colegas do próprio Planalto, que já admitem que a proposta dificilmente avança no Congresso dentro desse prazo. "O governo vai insistir na votação do fim da escala 6x1 antes da eleição como pauta prioritária", disse o ministro.
A cobertura de centro relatou que a fala de Boulos vai na contramão dos ministros José Guimarães, das Relações Institucionais, e Luiz Marinho, do Trabalho, que reconhecem que a matéria só deve ser analisada depois do pleito. A Proposta de Emenda à Constituição está parada no Senado desde maio e depende de despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que até agora não definiu relator nem indicou quando a proposta será encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça. Na semana passada, em evento sindical, Marinho afirmou acreditar que a pauta dificilmente será votada neste ano por "má vontade de Alcolumbre".
Os dois lados da cobertura convergem nos fatos centrais: a fala de Boulos rompe com o discurso mais cauteloso de colegas de governo, a PEC está travada no Senado e o cronograma foi comprometido pela crise entre o Planalto e a presidência do Senado. Veículos de direita enfatizaram que o tema é tratado abertamente como bandeira da campanha de reeleição de Lula e que o próprio governo admite dificuldades para aprová-lo, sinal de fragilidade política. Essa cobertura detalhou ainda que a briga com Alcolumbre se agravou depois que Lula indicou o ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União, ao Supremo Tribunal Federal, no lugar do senador Rodrigo Pacheco, preferido do presidente do Congresso; em retaliação, Alcolumbre passou a pautar projetos que atingem diretamente os gastos do governo.
Uma leitura de esquerda, ausente até aqui na cobertura direta, tenderia a destacar o outro ângulo dos mesmos fatos: o fim da escala 6x1, em que o trabalhador cumpre seis dias de jornada para apenas um de folga, é apresentado como avanço concreto de direitos para milhões de trabalhadores, e o travamento no Senado apareceria como obstáculo institucional a uma conquista social, e não como mera manobra eleitoral. Aliados do governo tentam retomar as negociações com a volta dos trabalhos legislativos, quando estão previstas semanas de esforço concentrado no Congresso.
O que ainda não se sabe é quando, ou se, Alcolumbre vai despachar a PEC para a CCJ, quem será o relator e se haverá clima político para votar a matéria antes do pleito. Parlamentares governistas reconhecem que o cenário segue incerto e que a votação pode ser novamente adiada para o fim do ano.