O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu Minas Gerais para um dos primeiros compromissos da campanha eleitoral de 2026. Em 17 de agosto, segundo dia do período em que os candidatos já podem pedir voto, o petista deve desembarcar em Belo Horizonte para o lançamento das candidaturas do deputado federal Patrus Ananias ao governo mineiro e da prefeita de Contagem, Marília Campos, ao Senado. O mesmo ato marcará o início da campanha presidencial no estado. A programação, segundo apuração junto a fontes do partido, ainda está em construção e não tem confirmação oficial.
A ida a Minas vem logo depois da abertura formal da campanha, prevista para 16 de agosto em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, cidade onde o presidente liderou o movimento sindical entre 1978 e 1980. Antes disso, ele cumpre uma sequência de convenções partidárias que se encerra com a oficialização da própria candidatura, marcada para domingo, 2 de agosto, em São Paulo. Na sexta-feira, 31 de julho, participou em Fortaleza da convenção que confirmou Elmano de Freitas na disputa pela reeleição no Ceará; no sábado, 1º de agosto, foi a vez de Jerônimo Rodrigues, em Salvador.
A cobertura de centro relatou o núcleo comum dessa agenda: a estratégia concentra esforços nos dois maiores colégios eleitorais, São Paulo e Minas Gerais, e nos estados do Nordeste onde o partido governa. Minas é tratada como termômetro da corrida ao Planalto, e a visita marca o momento em que o presidente finalmente terá um palanque definido no estado. O partido passou meses sem candidato ao Executivo mineiro: tentou convencer o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco a disputar, ouviu uma recusa, discutiu o nome da prefeita de Contagem, que preferiu concorrer ao Senado, e chegou a cogitar a ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais, Sandra Goulart, antes de consolidar Patrus Ananias, ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro.
Veículos de direita enfatizaram o outro lado desse mesmo calendário: as fragilidades que a maratona de convenções tenta corrigir. Nessa leitura, a chapa cearense chega ao prazo legal ainda incompleta, sem vice e sem a segunda vaga ao Senado definida, e a decisão do senador Cid Gomes de disputar novamente a cadeira partiu de um pedido do presidente. A cobertura desse campo destacou ainda que a campanha baiana enfrenta o desgaste do caso Master, que envolve integrantes da legenda, entre eles o ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner, que tenta a reeleição. O texto não detalha a acusação nem traz resposta do partido.
Veículos de esquerda não haviam publicado material sobre esse arco de agenda até o fechamento desta reportagem. Pelo enquadramento habitual desse campo, os mesmos fatos tenderiam a ser lidos como a reconstrução de uma base social: um candidato ligado às políticas de assistência social encabeçando a chapa mineira, uma gestora da periferia metropolitana no Senado e a abertura da campanha no berço sindical do presidente.
O que ainda não se sabe é considerável. Não há confirmação oficial da agenda em Belo Horizonte, nem definição do vice de Patrus Ananias ou do restante da chapa governista em Minas. No Ceará, faltam o candidato a vice e a segunda vaga ao Senado. Também não há, nas matérias reunidas, dado de pesquisa que sustente o peso atribuído a cada estado, nem esclarecimento sobre o alcance do caso Master na campanha baiana.