O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara o lançamento oficial de sua candidatura à reeleição para o dia 2 de agosto, quando o PT realizará sua convenção nacional. A cobertura de centro relatou que, antes disso, o petista deve se concentrar em um período de preparação, dedicando-se à noite e nos fins de semana a encontros setoriais em locais fechados, para só depois iniciar a campanha de rua.
Um dos pontos centrais é a mudança de local do ato. A convenção, inicialmente prevista para Brasília no dia 1º, foi transferida para São Paulo no dia 2 a pedido do próprio Lula. Segundo o relato, o presidente avaliou que era importante realizar o evento no estado considerado o berço político do PT e decisivo para o resultado da eleição. O entorno de Lula entende que é preciso, no mínimo, repetir o desempenho de 2022, quando o petista obteve 44,76% dos votos válidos em São Paulo, contra 55,24% de Jair Bolsonaro no segundo turno.
O lançamento vem logo após uma intensa fase de inaugurações. Na sexta-feira, o governo encerrou esse ciclo com uma cerimônia no Palácio do Planalto que acompanhou entregas simultâneas nas áreas de educação, saúde e habitação, com interações por vídeo com representantes em doze cidades de sete estados. Ao longo da semana anterior, Lula lançou o programa Desenrola para adimplentes, anunciou o Plano Safra 2026/27 e viajou à Bahia, ao Rio Grande do Norte e ao Ceará para inaugurar obras e entregar equipamentos públicos.
A cobertura de centro observou, de forma factual, um dado que a leitura de direita tende a enfatizar como problema: a legislação eleitoral proíbe, nos três meses que antecedem o primeiro turno, a participação de candidatos em inaugurações de obras públicas e restringe atos que possam ser interpretados como promoção institucional de agentes em disputa. Por esse ângulo, veículos e vozes de direita leem a maratona de entregas concentrada justamente às vésperas do prazo como uso da máquina pública para antecipar um palanque eleitoral. Já a leitura de esquerda destaca o mesmo ciclo de obras e programas como evidência de um Estado presente, voltado às políticas sociais e ao investimento público, cumprindo a lei ao encerrar as inaugurações antes do período de restrição.
A passagem pelo Nordeste teve um contratempo. Na quinta-feira, em Luís Gomes, no Rio Grande do Norte, Lula inaugurou o Túnel Major Sales, no ramal do Apodi da transposição do Rio São Francisco, antes de a água chegar ao local da cerimônia. O presidente afirmou que esperava acompanhar a entrada da água no túnel e atribuiu o episódio a um erro de cálculo. O Palácio do Planalto informou depois que não houve falha na estrutura e que a água ainda percorria o sistema de canais no momento da inauguração.
A cobertura também registrou a reorganização da equipe de campanha, reforçada por auxiliares que deixam o governo. O fotógrafo Ricardo Stuckert, um dos mais próximos do presidente, deixa a secretaria de Produção e Divulgação de Conteúdo Audiovisual da Presidência para coordenar as redes sociais de Lula, incluindo Instagram e TikTok, em parceria com a responsável pela estratégia digital do PT. A movimentação ocorre em paralelo à tensão diplomática do tarifaço anunciado por Donald Trump, em que a oposição, como o senador Flávio Bolsonaro, busca protagonismo.
O que ainda não se sabe é o formato final do ato de lançamento, o cronograma detalhado da campanha de rua e como a mudança para São Paulo afetará a estratégia de palanque. Também não há, até o momento, cobertura de veículos de esquerda dedicados especificamente a este cluster, o que limita o contraponto direto entre os lados neste conjunto de matérias.