O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta terça-feira, 30 de junho, da 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai. À margem do encontro do bloco, Lula manteve reuniões bilaterais com os presidentes do Chile, José Antonio Kast, e da Bolívia, Rodrigo Paz, ambas a pedido dos dois mandatários. O presidente brasileiro detalhou as conversas em publicações nas redes sociais, que serviram de base para grande parte da cobertura.
Com o chileno, o tema central foram os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio. Lula afirmou que os dois países se comprometeram a ampliar parcerias nas áreas de aeronáutica, ciência, defesa e educação, e anunciou uma futura visita de ministros brasileiros ao país andino. Com o boliviano, a pauta abrangeu energia, cooperação ambiental e a situação política interna. Os dois governos decidiram acelerar as tratativas para acordos entre a Petrobras e a estatal boliviana YPFB na área de extração de gás natural, e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, deve receber uma comitiva boliviana no Rio de Janeiro ainda nesta semana.
A cobertura de centro relatou o cenário com detalhe: veículos de referência destacaram que o Mercosul vive hoje um predomínio de presidentes de direita, restando Lula e o uruguaio Yamandú Orsi como as únicas lideranças de esquerda entre os chefes de Estado presentes. Essas matérias registraram ainda as expectativas de que a cúpula inaugure negociações de associação econômica entre o bloco e o Japão, além das divergências internas sobre as cotas de exportação para a União Europeia e da pressão da Argentina de Javier Milei por maior flexibilização, país que recentemente anunciou um acordo comercial com os Estados Unidos.
Veículos de esquerda enfatizaram o papel do Brasil como articulador da estabilidade democrática e da cooperação regional. Nesse enquadramento, ganharam relevo a defesa da democracia e da solução pacífica de conflitos na Bolívia, o apoio humanitário brasileiro com alimentos e medicamentos, e o compromisso de cooperação sobre o bioma amazônico, com o anúncio de uma delegação boliviana que virá ao Brasil tratar do tema. A integração energética via Petrobras e YPFB foi lida como fortalecimento da soberania regional.
Veículos de direita enfatizaram o isolamento da esquerda no bloco e as tensões que ameaçam sua coesão. Nessa leitura, destacou-se a crítica do chanceler brasileiro Mauro Vieira a 'iniciativas gestadas à margem' do Conselho de Ministros, que ameaçariam a tarifa externa comum, e a pressão argentina por abertura comercial. O aumento da contribuição brasileira ao Focem, o fundo que reduz desigualdades entre os países do Mercosul, foi apontado como mais gasto público para bancar o bloco. Nessa moldura, a diplomacia de Lula competiu com pautas domésticas de peso na mesma semana, como a discussão da escala 6x1 no Senado e julgamentos no Supremo Tribunal Federal.
Ainda não há detalhes sobre o alcance do acordo comercial entre Argentina e Estados Unidos, nem sobre como o Mercosul resolverá o impasse das cotas de exportação com a União Europeia, cujo prazo vai até setembro. Também permanece em aberto se a cúpula produzirá um pronunciamento conjunto sobre a Venezuela, atingida por terremotos que deixaram mais de mil e setecentos mortos, e quais serão os termos finais dos acordos entre Petrobras e YPFB.