O Partido dos Trabalhadores definiu para o dia 2 de agosto, em São Paulo, a convenção nacional que oficializará a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. O vice-presidente Geraldo Alckmin será novamente o candidato a vice, reeditando a chapa eleita em 2022. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e um eventual segundo turno, para 25 de outubro. Caso reeleito, Lula exercerá o quarto mandato presidencial, feito inédito desde a redemocratização.
A cobertura de centro relatou os detalhes práticos da convenção e do calendário eleitoral. O PT pretende destinar o valor máximo autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral e receberá R$ 615 milhões do Fundo Eleitoral, o segundo maior repasse entre os 30 partidos, atrás apenas do PL. Em 2022, Lula foi eleito com 60,3 milhões de votos, ou 50,9% dos votos válidos, contra 58,2 milhões de Jair Bolsonaro.
Sobre o cenário eleitoral, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada no período mostrou Lula com 46,3% das intenções de voto no principal cenário de primeiro turno, dez pontos à frente do senador Flávio Bolsonaro, com 36,6%. No segundo turno, o presidente venceria por 48,8% a 42,3%, encerrando o empate numérico da rodada anterior. Ao mesmo tempo, a avaliação do governo seguiu praticamente estável: a aprovação passou de 47% para 45,9% e a desaprovação recuou de 53% para 52,3%, oscilações dentro da margem de erro.
É nesse ponto que a cobertura diverge no enfoque. Veículos de esquerda destacaram que Lula amplia a vantagem e que a estratégia da campanha aposta em medidas voltadas ao crédito, ao emprego e à renda, como o Desenrola Adimplentes e a ampliação do teto de faturamento do Microempreendedor Individual, lendo o movimento como foco em proteção social e nos pequenos empreendedores. Veículos de direita enfatizaram que, apesar da liderança nas pesquisas, a desaprovação do governo permanece acima de 52% e a aprovação abaixo da metade, e ressaltaram o desgaste da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que teve como alvo o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner, em investigação relacionada ao Banco Master. O senador nega irregularidades, e o levantamento não identificou perda relevante de apoio ao presidente.
Os dois lados registram também a turbulência na pré-campanha de Flávio Bolsonaro, marcada pela divulgação de pedidos de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro e pela crise pública envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, episódios associados à queda do senador nas pesquisas e ao aumento de sua rejeição, que subiu para 53%.
Em paralelo, no Paraná, o PSD marcou para 25 de julho a convenção estadual que oficializará Sandro Alex como candidato ao Governo do Estado. Escolhido como pré-candidato do grupo liderado pelo governador Ratinho Junior, ele foi secretário de Infraestrutura e Logística e deputado federal. A chapa ainda não está fechada, com negociações abertas para vice-governador e Senado, onde o único nome confirmado é o do deputado estadual Alexandre Curi.
O que ainda não se sabe é qual será o efeito eleitoral consolidado das crises da oposição, já que o instituto ainda divulgaria dados específicos sobre esse ponto, e se Lula conseguirá converter a vantagem nas pesquisas em melhora consistente da aprovação da gestão até outubro. Também permanecem em aberto os valores exatos que o PT destinará à campanha e a composição final das chapas, tanto a nacional quanto a estadual paranaense.