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O ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, confirmou ter recebido R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Ele afirma que foi empréstimo pessoal já quitado e colocou os sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça. O assessor deixou o Planalto em 21 de julho para integrar a campanha do presidente e, por ora, foi mantido na equipe. Adversários de Lula na disputa presidencial usaram o caso para atacá-lo.
O ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, admitiu ter recebido R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Em nota, o assessor afirmou que se tratou de empréstimo pessoal, já quitado por transferência bancária, e que nunca teve relação que caracterizasse ilegalidade no exercício da função. Ele colocou os sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça.
Marcola deixou a chefia de gabinete do Palácio do Planalto em 21 de julho para integrar a equipe de campanha do presidente. Depois da revelação da transação, Lula disse a aliados que soube do caso há menos de duas semanas e que está triste, mas, segundo integrantes do núcleo da campanha, decidiu por ora mantê-lo no time eleitoral, salvo se o próprio assessor pedir para sair.
A cobertura de centro relatou a cronologia da operação financeira e o cálculo político do presidente. Os valores teriam sido repassados em 2024, com a quitação feita neste ano, depois de a empresária já ter se tornado alvo da Polícia Federal. Essas matérias registraram também que Lula cobrou explicações do assessor, que teria apresentado registros de pagamento, e que o presidente afirmou a aliados querer separar, na eleição, os atos de pessoas próximas dos seus próprios atos. O mesmo bloco de reportagens deu espaço às reações da oposição e às notas de defesa.
Veículos de direita enfatizaram o ângulo de fiscalização do poder público. Nessas matérias, o ponto central é que a Polícia Federal citou a transação no pedido de abertura de inquérito sobre suspeita de tráfico de influência no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto, e trabalha com a hipótese de que o pagamento fosse propina para abrir portas no governo. Essa cobertura destacou ainda que a empresária esteve mais de 40 vezes em órgãos federais entre 2023 e 2025 sem registro nas agendas oficiais, e que ela acertou com o lobista conhecido como Careca do INSS ações para prospectar negócios na esfera federal.
Neste conjunto de matérias não há cobertura própria de veículos de esquerda sobre o caso, o que deixa o contraponto restrito às notas das defesas. Marcola sustenta que a operação foi estritamente privada. Os advogados de Lulinha afirmaram que ele não tem relação direta ou indireta com qualquer irregularidade, declararam confiança na condução do processo pelo Supremo Tribunal Federal e pediram providências contra o que chamaram de vazamentos reiterados, seletivos e criminosos.
Todos os relatos convergem em alguns pontos. O pagamento existiu e é reconhecido pelo destinatário. A empresária é investigada no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos superiores a R$ 6 bilhões em benefícios do INSS entre 2019 e 2024. E há inquéritos em curso no Supremo sobre suposto tráfico de influência do filho do presidente, distribuídos aos ministros André Mendonça e Flávio Dino, sem denúncia formal apresentada até agora.
O episódio entrou de imediato na disputa presidencial. O senador Flávio Bolsonaro gravou vídeo cobrando explicações sobre a origem do dinheiro e perguntando se seriam recursos de aposentados. O pré-candidato Romeu Zema disse ser impressionante a recorrência de notícias com suspeita de corrupção ligadas ao presidente. Ronaldo Caiado afirmou que o escândalo chegou à antessala do rei. O ex-procurador e candidato a senador Deltan Dallagnol pediu que o Supremo investigue a operação financeira.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há esclarecimento público sobre a finalidade do dinheiro além da menção genérica a uma questão familiar, nem explicação sobre por que a quitação ocorreu apenas depois de a empresária virar alvo da investigação. Também não se sabe se o Supremo vai acolher os pedidos de apuração sobre o assessor, qual será a decisão definitiva sobre sua permanência na campanha, e se a hipótese de propina levantada pela Polícia Federal tem sustentação documental além da coincidência entre pagamento e acesso ao governo.
As coberturas convergem em três fatos: o pagamento de R$ 249 mil da empresária ao então chefe de gabinete existiu e é reconhecido por ele; a empresária é investigada pela PF no contexto do esquema de descontos no INSS; e há inquéritos abertos no Supremo sobre suposto tráfico de influência envolvendo o filho do presidente, sem denúncia formal até agora.
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Texto de apuração, com a nota integral do assessor ('nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade'), a negativa da defesa de Roberta e a negativa de Lulinha. A fala de Flávio Bolsonaro ('É dinheiro do aposentado?') aparece atribuída e sem endosso do redator. Vocabulário descritivo, sem enquadramento de mercado nem de proteção social.
Perspectivas omitidas
Cobertura de bastidor com fontes múltiplas: nota do assessor, relato de aliados sobre a reação de Lula, declarações de Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, nota da defesa de Lulinha e pedido de Deltan Dallagnol ao STF. O título carrega desgaste político ('vira alvo de rivais, mas mantém'), mas o corpo sustenta cada elemento. Paridade real entre acusação e defesa mantém o texto no centro.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
O verbo do título ('admite ter recebido') e a construção do texto puxam para accountability e suspeita de propina no coração do governo, com ênfase em 'abrir portas' e nas visitas não registradas. Fecha com a cobrança do senador da oposição, sem resposta governista equivalente. É enquadramento de fiscalização do poder público típico de direita, ainda que ancorado em apuração própria.

Ex-assessor conhecido como Marcola diz que nunca teve

Ex-chefe de gabinete afirmou ter obtido e quitado empréstimo de R$ 249 mil com investigada pela PF

Transação foi citada pela Polícia Federal em pedido de inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência do filho do presidente
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Falácias identificadas



