Lulinha jura que é inocente e não vou utilizar meu cargo para protegê-lo, diz Lula
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de inquérito pedido pela Polícia Federal para apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista a um podcast em 30 de julho, o presidente afirmou que não usará o cargo para proteger o filho, disse acreditar na inocência dele e garantiu que ele voltará da Espanha caso seja julgado. A defesa nega irregularidades.
Esquerda
Veículos de esquerda enquadraram a fala do presidente como demonstração de que o governo não protege ninguém, nem dentro da própria família. O ponto central da cobertura é o compromisso público de não interferir em delegado ou juiz e a lembrança de que o próprio presidente já foi alvo de acusações que precisou desmontar.
Centro
Sem cobertura neste espectro.
Direita
Veículos de direita enquadraram o caso como teste de accountability do poder público: o filho do presidente é suspeito de vender acesso ao governo federal em troca de pagamentos, e cabe às instituições apurar sem tutela do Planalto.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O texto reproduz a íntegra das falas do presidente e acrescenta uma declaração anterior favorável a ele ('ninguém ficará livre'), reforçando o enquadramento de conduta ética, ao mesmo tempo em que deixa de fora a formulação mais dura da suspeita (venda de acesso ao governo) e o desgaste entre relator e PF. Cita 'barbaridades faladas contra o meu filho' sem contraponto. Factual na base, mas com seleção de ênfase protetiva.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
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Veículos com viés à direita
Texto tecnicamente rigoroso, mas o enquadramento privilegia o ângulo de fiscalização institucional: detalha a tramitação no plantão do Supremo, a manifestação da Procuradoria, a redistribuição por sorteio e, sobretudo, a cobrança do relator à Polícia Federal e o 'descontentamento na corporação'. Formula a suspeita no termo mais duro ('vendia acesso ao governo federal, em troca de pagamentos'), ênfase típica de accountability sobre o poder público.
Perspectivas omitidas
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um inquérito, pedido pela Polícia Federal, para investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um dia após a autorização, em 30 de julho, o presidente tratou do assunto em entrevista a um podcast e afirmou que não usará o cargo que ocupa para proteger o filho. Disse que ele será tratado como filho de qualquer pessoa, que jamais pedirá a um delegado ou a um juiz para não fazer o que é correto e que, se for culpado, terá de pagar como qualquer cidadão paga quando erra. Afirmou também acreditar na inocência do filho, que hoje mora em Madri, e garantiu que ele voltará ao Brasil se for julgado, em vez de permanecer escondido.
Os pontos factuais em que as diferentes coberturas convergem são claros. O pedido da Polícia Federal chegou ao Supremo na sexta-feira, 24 de julho, durante o plantão judiciário. Depois de manifestação da Procuradoria-Geral da República favorável à livre distribuição, ou seja, sem vínculo obrigatório com a operação que apura fraudes no instituto de previdência, o caso foi novamente sorteado para o mesmo relator, que então autorizou a apuração. A investigação pretende esclarecer se houve tráfico de influência e corrupção na relação do empresário com o Palácio do Planalto e com o Ministério da Saúde. A defesa do investigado nega irregularidades e sustenta que ele não recebeu pagamento por negócios de empresários com o governo.
As ênfases, porém, divergem. Veículos de esquerda concentraram o texto nas declarações do presidente sobre ausência de privilégio, acrescentaram que ele já havia dito, meses antes, que nem familiares nem ministros ficariam livres de investigação, e detalharam que a suspeita envolve a autorização para comercialização de cannabis medicinal em programas ligados à pasta da Saúde. Nesse enquadramento, o episódio é mais um capítulo de uma sequência de acusações contra o filho do presidente que se repete desde 2006, e o inquérito é lido como procedimento comum, sem antecipação de culpa.
Veículos de direita foram na direção oposta ao formular a suspeita no termo mais duro disponível: o objetivo da apuração seria saber se o filho do presidente vendia acesso ao governo federal em troca de pagamentos. Essa cobertura descreve passo a passo a tramitação no tribunal, registra que o relator vinha cobrando da Polícia Federal explicações sobre o andamento das investigações nas semanas anteriores e afirma que essas cobranças geravam descontentamento dentro da corporação. A promessa presidencial de não interferir aparece registrada, mas tratada como compromisso a ser verificado pelo resultado do inquérito, não como garantia.
A cobertura de centro identificada até aqui é rasa: resume-se a uma enquete de leitores, de participação espontânea e sem valor estatístico, perguntando se a investigação pode prejudicar a reeleição do presidente. Entre os 1.042 participantes, a maioria respondeu que não. O dado indica por onde parte da conversa pública está caminhando, mas não substitui apuração nem mede opinião do eleitorado.
O que ainda não se sabe é a maior parte da história. Não há detalhamento público dos elementos que levaram a Polícia Federal a pedir a abertura do inquérito, nem dos valores, contratos ou intermediários eventualmente envolvidos. Também não está definido o prazo da apuração, se haverá medidas cautelares, se o empresário será formalmente convocado a depor no Brasil e se o caso terá alguma conexão posterior com outras investigações em curso no governo federal. Até que o inquérito avance, existe uma autorização judicial para investigar, declarações públicas do presidente e uma negativa da defesa, sem imputação formal de crime.
Existe inquérito autorizado por decisão judicial no Supremo contra o filho do presidente, em pleno ano eleitoral. - A apuração mira negociações com o Palácio do Planalto e o Ministério da Saúde, incluindo autorização para comercialização de cannabis medicinal. - O investigado mora em Madri, o que afeta prazos e logística de eventuais depoimentos. - O presidente se comprometeu publicamente a não interferir junto a delegado ou juiz, compromisso que fica registrado e verificável.
Esquerda enfatiza o compromisso de não interferência e a leitura de que o filho do presidente é alvo recorrente de ataques políticos desde 2006. - Direita enfatiza o teor da suspeita, a venda de acesso ao governo em troca de pagamentos, e a cobrança do relator à Polícia Federal sobre a lentidão do caso. - Esquerda detalha o objeto econômico (cannabis medicinal em programas da Saúde); direita detalha o rito processual e o desgaste institucional.
Todos os lados registram os mesmos fatos: a Polícia Federal pediu o inquérito em 24 de julho, o Supremo distribuiu o caso a André Mendonça, que autorizou a apuração de tráfico de influência e corrupção, e o presidente declarou publicamente que não usará o cargo para proteger o filho e que ele voltará da Espanha caso seja julgado. A defesa nega irregularidades em todas as coberturas.
Não foram divulgados os elementos, valores ou contratos que embasaram o pedido da Polícia Federal. - Não há prazo definido para a conclusão do inquérito nem informação sobre convocação do investigado para depor no Brasil. - Não se sabe se o caso terá conexão futura com outras investigações em curso no governo federal.

(Folhapress) - O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira (30) que o cargo dele não será usado para proteger seu filho Fábio Luís Lula da Silva,
Presidente comentou inquérito aberto para apurar suspeitas de tráfico de influência no governo federal do empresário
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